Com aumento de feminicídios, Prefeitura de SP quer Smart Sampa contra agressores

A medida contribuiria para que os agressores não pudessem mais alegar desconhecimento para continuar perseguindo as vítimas

  • Por Beatriz Manfredini
  • 01/01/2026 18h48
DANIEL CYMBALISTA/FOTOARENAESTADÃO CONTEÚDO Prisômetro SP - SMART/SAMPA - GERAL - Smart Sampa, sistema de monitoramento com câmeras de segurança que usa reconhecimento facial para identificar suspeitos, foragidos e pessoas desaparecidas. Segundo a prefeitura, mais de 23 mil câmeras com reconhecimento facial espalhadas pela cidade de São Paulo estão operando, em auxilio a CGM. Na foto, fachada do Smart Sampa, na rua Quinze de Novembro, com destaque para o prisômetro, um painel 24 horas que atualizará em tempo real o número de prisões realizadas na capital paulista por meio do Smart Sampa. 26/02/2025

A Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) estão estudando uma parceria para atuar em casos de violência contra a mulher. A ideia é utilizar o Smart Sampa, sistema de monitoramento da capital, para identificar e localizar homens que são alvos de medidas protetivas. Após encontrados, eles seriam notificados pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) de que estão proibidos de se aproximar das vítimas.

A medida contribuiria para que os agressores não pudessem mais alegar desconhecimento para continuar perseguindo as vítimas. Os homens alvos de medidas protetivas também continuariam sendo notificados pela Justiça, mas a ação da GCM, em caso de desrespeito ao distanciamento, já pode resultar em prisão.

As negociações foram confirmadas pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o secretário de Segurança Urbana da cidade, Orlando Morando. Com os estudos técnicos ainda acontecendo, não há data para que o sistema entre em vigor, mas a expectativa é para 2026.

“Hoje já temos um trabalho muito importante que é o aplicativo para mulheres vítimas de violência com medidas protetivas”, disse Nunes à coluna. Segundo o prefeito, são 6.000 mulheres que possuem o dispositivo para que, se o agressor se aproximar, ela acione o app, que notifica automaticamente o SmartSampa.

“A tecnologia já conta com a localização da vítima e o sistema emite alerta para as viaturas da Polícia Municipal [Guarda Civil Metropolitana] que estão próximas. Assim, com tempo médio de 7 minutos uma viatura vai até o local que a mulher está”, afirmou, destacando que uso da tecnologia para coibir ações criminosas é fundamental e reiterando as negociações para expansão.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

O estado de São Paulo registrou, de janeiro a novembro de 2025, 233 feminicídios e 61,4 mil agressões a mulheres. No início de dezembro, a capital paulista também já registrada 2025 como o ano com maior número de feminicídios da história, desde que a medição começou. Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam que entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 53 casos de feminicídio na capital paulista. Este é o maior índice anual desde 2018, mesmo sem contabilizar os meses de novembro e dezembro.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.