Política

Como o escândalo do Master abalou a República

Relação de Daniel Vorcaro com setores do Executivo e do Judiciário deixam Brasília sob tensão

Dias Toffoli, em sessão no STF - 04/02/2026 | Foto: Luiz Silveira/STF
Dias Toffoli, em sessão no STF - 04/02/2026 | Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi afastado da relatoria do inquérito sobre as fraudes no Banco Master. Isso ocorreu depois de a Polícia Federal (PF) identificar, no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, trocas de mensagens que citavam o magistrado. Como resultado, a investigação acabou redistribuída ao ministro André Mendonça, que começou a receber detalhes técnicos da investigação da PF em reunião com delegados nesta sexta-feira, 13.

O STF alegou que Toffoli não tinha impedimento legal para seguir no caso, mas a repercussão do escândalo, com acusações de proximidade a figuras ligadas ao banco, tornou a permanência insustentável.

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Sob a nova relatoria de Mendonça, a PF apresentou ao STF um quadro mais detalhado das apurações sobre fraudes financeiras, emissão de títulos sem lastro e movimentações suspeitas no banco controlado por Daniel Vorcaro. A PF quer aprofundar as linhas de apuração, inclusive sobre relações políticas e financeiras que cercaram as operações do Master.

No começo de fevereiro, o Senado instalou uma comissão especial no âmbito da Senado Federal para acompanhar a crise, presidida por Renan Calheiros. A crise ganhou contornos públicos em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por violações graves às regras financeiras, principalmente pela emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com juros extraordinariamente altos e sem lastro econômico confiável.

Naquele mesmo mês, Vorcaro acabou detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para o exterior pouco depois que o banco foi impedido de vender carteiras fictícias de crédito a outra instituição pública, o Banco de Brasília.

A crise no Banco Master

O escândalo tem origem na expansão agressiva do banco pós-2018, quando carteiras de crédito passaram de R$ 1,4 bilhão para mais de R$ 40 bilhões em poucos anos com produtos financeiros que prometiam rendimentos acima do mercado. A estratégia levou a uma crise de liquidez e, segundo investigações da PF e do Banco Central, pode ter envolvido manipulação contábil e criação de ativos sem lastro.

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A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 e com fases sucessivas em dezembro e janeiro, tornou-se a principal linha de investigação para apurar gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa em torno da instituição.

O caso transbordou da esfera financeira para a política nacional. Reportagens revelaram que:

Os números do escândalo

Quando foi liquidado, o Master tinha menos de 1% dos ativos do sistema financeiro brasileiro. Contudo, sua queda provocou um efeito de contágio importante. O Fundo Garantidor de Créditos foi acionado para ressarcir mais de 800 mil investidores, com estimativas de desembolso que podem superar R$ 40 bilhões — o maior valor pago na história do fundo.

O escândalo do Master se tornou um nó político porque reuniu:

  • Acusações de fraudes bilionárias;
  • Investigações da Polícia Federal;
  • Liquidação ordenada pelo Banco Central;
  • Pressões sobre o Supremo;
  • Manobras no Congresso; e
  • Ligação com nomes do Executivo.

Leia também: “Sem saída”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 309 da Revista Oeste

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