Correia, do PT, fala em ‘dupla blindagem’ bolsonarista no caso Banco Master

O deputado também citou supostos aportes financeiros feitos por empresários ligados ao banco em campanhas eleitorais

  • Por Bruno Pinheiro
  • 13/02/2026 13h08
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - 23/06/2021 De terno cinza, camisa branca e gravata chumbo, o deputado federal Rogério Correia fala no plenário da Câmara De terno cinza, camisa branca e gravata chumbo, o deputado federal Rogério Correia fala no plenário da Câmara

Em entrevista à coluna, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) elevou o tom ao comentar os desdobramentos do caso Banco Master e a condução das investigações na CPMI do INSS. Segundo ele, há uma “blindagem nítida” envolvendo personagens ligados ao banco, à Igreja da Lagoinha e a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O caso Master tem uma coisa essencial, que é o crescimento desse banco com base em crédito consignado e aposentado, e uma roubalheira geral feita por meio de falsos investimentos, que levou à falência do banco”, afirmou o parlamentar. Para ele, os fatos teriam ocorrido “durante todo o período de Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central”.

O deputado também citou supostos aportes financeiros feitos por empresários ligados ao banco em campanhas eleitorais. “Tanto o Vorcaro como o pastor Zetel fizeram investimento alto na campanha do Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foram cinco milhões”, declarou. Segundo ele, “durante todo esse período eles não foram investigados, fizeram o que quiseram, com o Banco Central abençoando”.

Correia ainda mencionou tentativa de aquisição do banco pelo BRB, envolvendo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. “Ia comprar o Banco Master falido através do BRB, ou seja, uma ação com dinheiro público para salvar o banco que estava à beira da falência por crimes cometidos pelos seus dirigentes”, disse.

Igreja da Lagoinha e nova relatoria no STF

O parlamentar relacionou o caso à Igreja Batista da Lagoinha, citando o pastor Zetel e possíveis conexões políticas. Ele mencionou o senador Carlos Viana, presidente da CPMI, e o deputado Nikolas Ferreira, ambos frequentadores da igreja.

“Há fortes indícios de lavagem de dinheiro do Zetel, portanto do Banco Master, para a Igreja da Lagoinha por meio do Clava Forte Bank”, afirmou. “Tudo isso eu já apontei dentro da CPMI e até hoje o presidente Viana não colocou em votação.”

O deputado também questionou a atuação do ministro do STF André Mendonça, novo relator de processos relacionados ao caso. “O receio nosso é que, sendo também evangélico e indicado por Bolsonaro, haja uma dupla blindagem”, declarou.

Requerimentos não votados

Correia afirmou à coluna que apresentou requerimentos de quebra de sigilo envolvendo o Clava Forte Bank, a Igreja da Lagoinha e o pastor Zetel. “Do Vorcaro foi aprovado. Esses outros três sequer foram colocados em votação”, disse.

“É uma blindagem nítida tanto ao Zetel enquanto bolsonarista quanto à Igreja da Lagoinha, que está muito encrencada nesse processo. Estamos exigindo que esses requerimentos sejam colocados em votação e aprovados”, completou.

O deputado ainda citou vínculos familiares envolvendo Natália Vorcaro, descrita por ele como pastora da Lagoinha, além de relações societárias ligadas ao caso.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.