Dança das cadeiras: briga por vice de Tarcísio respinga na Alesp
Entre as possíveis baixas está o líder do PSD na Alesp, deputado Paulo Correa Jr.
A disputa entre os partidos PL e PSD pela vaga de vice na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição tem repercutido na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Após investidas nos tucanos do PSDB para conquistar o posto de terceira maior bancada na Casa, o PSD, presidido por Gilberto Kassab, corre o risco de perder dois filiados.
Entre as possíveis baixas está o líder do PSD na Alesp, deputado Paulo Correa Jr. Atualmente, ele mantém negociações avançadas com o PL, partido comandado por Valdemar Costa Neto, mas também foi procurado por outras siglas. Entre os motivos apontados está o “congestionamento” de filiados no partido de Kassab, cada vez mais ampliado com novas adesões.
“Estamos em momento de várias conversas e especulações. Ainda não conversei com o nosso líder, Kassab, para ver como ficará o partido aqui na minha região [litoral Sul de São Paulo]. Mas irei analisar todas as possibilidades no que se refere às chapas”, disse Correa Jr à coluna. A expectativa é que ele tome uma decisão até a primeira quinzena de abril.
“Toda eleição é difícil e temos estar preparados para a disputa. Até lá, já terei mais clara a visão do partido na minha região e aí, sim, tomarei a melhor decisão”, continuou.
Além dele, o deputado Oseias de Madureira (PSD) também negocia com o PL. As conversas vêm sendo conduzidas com o presidente da Alesp, André do Prado (PL).
Se confirmadas as duas baixas, o partido de Kassab colocará um pé no freio nas tratativas para ampliar sua bancada na Casa. Atualmente, o PSD tem quatro parlamentares, número que pode chegar a 11 com a filiação de seis tucanos e um deputado do Cidadania. Hoje, o PL possui a maior bancada, com 20 deputados estaduais — número que também busca ampliar no cenário pré-eleitoral.
Uma dirigente partidária descreve o cenário como uma “dança das cadeiras”, já que muitos filiados ao PSD demonstram receio de falta de espaço para futuras candidaturas. Até mesmo a secretária de Esportes do governo de São Paulo, coronel Helena Reis (Republicanos), recebeu, nos últimos dias, convite de Kassab para se transferir ao PSD — ela pretende disputar uma vaga de deputada estadual. A avaliação interna é que essa “avalanche” de filiações possa provocar uma debandada, com candidatos buscando melhor posicionamento na formação das chapas para as próximas eleições.
Além das movimentações na Assembleia, a sigla comandada por Kassab registrou crescimento no interior paulista. Em 2024, a legenda elegeu 206 prefeitos entre os 645 municípios de São Paulo, seguida pelo PL, com 104.
Briga por vice
À Jovem Pan, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já afirmou que vai “trabalhar muito” para garantir a vaga de vice na chapa de Tarcísio. Entre os argumentos utilizados está o fato de o partido possuir a maior bancada na Alesp. O posto ficaria com André do Prado — que, como revelou a coluna, reúne uma lista de apoios na Casa.
O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), no entanto, é apontado como favorito do governador para permanecer no cargo, mas enfrenta resistência interna de Kassab, que também pleiteia espaço na composição. Até o fim de março, reuniões entre os três devem definir o futuro da legenda e da vice-governadoria.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.