
Médicos, peritos oficiais e a defesa de Jair Bolsonaro estão avaliando as condições do local onde Alexandre de Moraes pretende que ele fique cumprindo pena. A preocupação é com a saúde dele, a segurança lá dentro, para que não haja mais quedas; por exemplo, se há alças no banheiro, no box, no quarto, para ele se segurar. Bolsonaro passou 54 dias confinado – fora os dias que passou no hospital, em cirurgias e tratamento –, com barulho 24 horas por dia do ar-condicionado central da Superintendência da Polícia Federal. Ele se livrou disso agora. Terá mais espaço, 54 metros quadrados cobertos e mais 10 metros quadrados de área externa.
Até um “gostei” em mídias sociais serve para dividir a direita
A primeira-dama de São Paulo, Cristiane, mulher de Tarcísio de Freitas, escreveu em uma rede social que o Brasil está precisando de um CEO, ou seja, um chefe, um administrador: “É o meu marido”. Michelle Bolsonaro botou um “gostei” e disse “preferencialmente Jair Bolsonaro”, ou seja, preferencialmente, que seja o marido dela. E aí começou a fofoca, gente dizendo que ela passou por cima de Flávio Bolsonaro, que já é candidato. Um diz-que-diz-que. Tarcísio teve de vir a público, dizer que é candidato à reeleição em São Paulo, e que seu candidato à Presidência da República é Flávio Bolsonaro. Ontem eu disse que, na pesquisa Quaest, se somarmos todos os candidatos da direita, são 45% contra 36% de Lula. Isso quer dizer que Lula só ganha se dividir a direita. E vimos que a direita já se dividiu imediatamente. É falta de cabeça fria. Cabeça fria é essencial em uma batalha; as emoções são inimigas.
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Lula não vai a cerimônia de assinatura de acordo UE-Mercosul porque está chateado
Falando nisso, a política externa brasileira está movida por emoções ideológicas. Neste sábado, em Assunção, no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, haverá a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Quem vai assinar são os ministros de Relações Exteriores de Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil, mas os presidentes também foram convidados. Lula é o único que não vai, porque está magoado: uma, que não assinaram o acordo em Foz do Iguaçu, no mês passado, quando ele ainda presidia o Mercosul; outra, porque Javier Milei postou um discurso saudando a captura de Nicolás Maduro, entremeando com imagens de Lula embevecido com Maduro. Para compensar, Lula quer encontrar os europeus que vão a Assunção durante a passagem deles pelo Rio: Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e o português António Costa, o presidente do Conselho Europeu. Assim ele consegue ao menos a foto, para não ficar de fora.
Trump está conseguindo trazer as Américas para a órbita dos EUA
No domingo, depois do evento em Assunção, Milei parte para o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Donald Trump já anunciou que levará a maior delegação norte-americana da história. Quando Trump voltar, Gustavo Petro, da Colômbia, está ansioso por se encontrar com ele na Casa Branca. Trump está fazendo sua política, atraindo para os EUA aqueles que eram atraídos pela Rússia, pelo Irã (que está em chamas) e pela China, que vai ficar dependendo do petróleo da Venezuela e do Irã.
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Toffoli e Moraes estão rebaixando a imagem do Supremo
Os bastidores registram queixas e críticas de ministros do Supremo, de que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão atrapalhando demais o bom nome do Supremo. Isso eles já fazem há muito tempo, não? Nesse caso do Master são coisas óbvias, mas os problemas são antigos. Foi Toffoli quem criou o “Inquérito do Fim do Mundo”, por conta própria, sem Ministério Público (o que é impossível pela Constituição), e agora virou delegado do caso Master, determinando que o material apreendido nessa última busca e apreensão não pode ficar nas mãos da Polícia Federal, tem de ir para a Procuradoria-Geral da República, que também não tem espaço para isso, precisaria de uma caixa-forte para guardar tudo. Ficou estranho, muito estranho. Moraes, o relator do Inquérito do Fim do Mundo, age como investigador, vítima, promotor, juiz e, agora, juiz de execuções. E o escritório da família dele tem esse contrato milionário com o Master.
O Brasil todo quer saber as razões do sigilo imposto por Toffoli nas investigações do Master. Ele pretende esconder o quê? Parece a ocasião em que ele proibiu que mostrassem as imagens do aeroporto de Roma. Certamente, não foi para preservar os Mantovani. Depois, aparecem as mensagens do auxiliar de Moraes, Eduardo Tagliaferro, e, em vez em vez de mandarem apurar as denúncias, é Tagliaferro quem é perseguido. Que história é essa? Agora Moraes quer apurar como é que a imprensa teve acesso a movimentações financeiras de mulheres de ministros do Supremo. Em vez de apurarem de onde vieram essas movimentações financeiras, só vão investigar se isso vazou do Coaf ou de algum outro lugar. A Constituição fala em publicidade no serviço público. Como o nome diz, serviço público tem de ficar aberto ao público, que é o chefe. Em democracias, o poder emana do povo.
Metodologia da pesquisa citada nesta coluna: 2.004 entrevistados pela Quaest entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A.. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00835/2026.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
