Em 1990, a eliminação precoce do Brasil abriu caminho para a Argentina chegar à final

A equipe de Maradona, no entanto, sucumbiu diante da Alemanha na decisão, em Roma

  • Por Thiago Uberreich
  • 09/02/2026 07h00
MARK LENNIHAN/ASSOCIATED PRESS O jogador argentino de futebol, Diego Maradona (e), disputa bola com o jogador brasileiro Alemão (Ricardo Rogério de Brito), durante partida válida pela segunda rodada da Copa do Mundo de 1990, em Turim Itália, Turim. 24/06/1990. O jogador argentino de futebol, Diego Maradona (e), disputa bola com o jogador brasileiro Alemão (Ricardo Rogério de Brito), durante partida válida pela segunda rodada da Copa do Mundo de 1990, em Turim, na Itália. A Argentina derrotou o Brasil por 1 a 0.

Na última coluna do “Memória da Pan”, destaquei que a seleção de 1994 aprendeu com os erros de 1990. Naquele ano, na Itália, a equipe nacional ficou apenas em nono lugar, um fracasso retumbante para uma das favoritas ao título. Apesar de três vitórias na primeira fase, Suécia (2×1), Costa Rica (1×0) e Escócia (1×0), o Brasil foi eliminado pela Argentina nas oitavas de final. Uma queda precoce para um tricampeão do mundo.

Aos trancos e barrancos, os argentinos, capitaneados por Maradona e que também contava com a estrela de Caniggia, chegaram na final contra a Alemanha. A decisão foi fraca tecnicamente, mas prevaleceu a melhor organização dos germânicos:

ALEMANHA 1 × 0 ARGENTINA – Roma – 08.07.90

Alemanha: Illgner; Augenthaler, Berthold (Reuter), Kohler, Buchwald, Brehme; Hässler, Matthäus, Littbarski; Klinsmann e Völler.

Técnico: Franz Beckenbauer

Argentina: Goycochea; Simon, Serrizuela, Ruggeri (Monzón), Troglio; Sensini, Burruchaga (Calderón), Basualdo, Lorenzo; Dezotti e Maradona.

Técnico: Carlos Bilardo

Árbitro: Edgardo Codesal Mendez (México).

Gol: Brehme (40) no segundo tempo.

O jogo foi ruim e violento por parte dos argentinos. Monzon e Dezotti foram expulsos, enquanto Troglio e Maradona levaram cartão amarelo. O árbitro mexicano Edgardo Codesal Mendez marcou um pênalti duvidoso em favor da Alemanha aos 40 minutos do segundo tempo. Brehme chutou no canto direito de Goycochea e garantiu o placar magro da partida: 1 a 0.

A Alemanha conquistou, na época, o terceiro título mundial, repetindo 1954 e 1974. O capitão Lothar Matthäus, eleito o melhor da Copa, levantou a taça. Já Franz Beckenbauer se tornou o segundo ex-jogador da história a ser campeão mundial como treinador. Capitão da Alemanha na conquista de 1974, ele repetia Zagallo, campeão dentro de campo, em 1958 e 1962, e como técnico em 1970.

A manchete do caderno de esporte da Folha de S.Paulo do dia seguinte foi: “Alemanha chega ao tri e consagra Beckenbauer”. A imagem que correu o mundo foi a de Maradona chorando copiosamente. Na opinião dele, os árbitros prejudicaram a seleção argentina ao longo do mundial. No momento em que foi receber a medalha de vice-campeão, Diego se recusou a cumprimentar o presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange. O camisa 10 revelava o desafeto que tinha pelo cartola. Ainda no texto da Folha, a menção aos desfalques na Argentina: “Beckenbauer se consagrou ao colocar sua equipe no ataque, disposto a decidir o jogo logo em seu início, como fez durante toda a Copa. A Bilardo, sem alternativas para suprir a ausência de quatro jogadores suspensos (Olarticoechea, Batista e Caniggia com dois cartões amarelos e Giusti, expulso na semifinal contra a Anfitriã Itália), restou a retratação à espera de um golpe de sorte ou da disputa em pênaltis.”

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.