Política

Ex-marqueteiro do PT critica participação de Lula e Janja no Carnaval

João Santana, que foi responsável pelas campanhas do petista, avalia que participação em desfile pode ter efeito eleitoral adverso

Campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira dama, Janja da Silva, em campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais - Belo Horizonte (MG),15/6/2022 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ex-marqueteiro do PT João Santana criticou a aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama, Janja da Silva, com o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.

A escola levará à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem a Lula, e há expectativa de participação de Janja como destaque em carro alegórico. Santana afirmou que a estratégia pode produzir um “cenário de soma negativa”, no qual “todos saem perdendo”.

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Segundo ele, o principal risco não é a reação na avenida, mas a repercussão fora do ambiente do Carnaval. “O maior risco […] não é o de vaias, mas a repercussão fora das bolhas de batucadas”, declarou.

O ex-marqueteiro citou como exemplos o interior de São Paulo, bolsões do Sudeste e do Sul e o eleitorado evangélico, regiões e segmentos onde, segundo ele, Lula precisa ampliar apoio.

Santana indagou qual seria o ganho político adicional no Nordeste, região em que o presidente já concentra forte base eleitoral.

Preocupações com a imagem do petista

O ex-responsável pelas campanhas vitoriosas de Lula e Dilma Rousseff também avaliou que a relação entre Carnaval e política exige cautela.

“Carnaval se presta mais para demolição do que para construção de imagem de político”, afirmou.

Ele argumentou que grandes eventos culturais tendem à catarse coletiva e à irreverência, o que pode dificultar o controle de narrativa por parte de lideranças políticas. A Acadêmicos de Niterói é subsidiada por recursos municipais e também recebe repasses federais por meio da Embratur.

A homenagem a Lula no Carnaval de 2026

Lula com dirigentes da escola de samba Acadêmicos de Niterói | Foto: Divulgação
Lula com dirigentes da escola de samba Acadêmicos de Niterói | Foto: Divulgação/Acadêmicos de Niterói

O samba-enredo Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, que será apresentado no domingo 15, narra a trajetória do presidente, da infância em Pernambuco à Presidência da República.

A escola levará 25 alas e cerca de 3.100 integrantes à avenida. A Acadêmicos de Niterói orientou que não sejam exibidos símbolos partidários para evitar punições, em decorrência da proximidade com as eleições de 2026.

A escola de samba tem direito a R$ 1 milhão do patrocínio da Embratur às escolas do Grupo Especial, via Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. O governo do Rio repassou R$ 40 milhões ao grupo, e a prefeitura destinou R$ 25,8 milhões.

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