Política

Mais censura na República do Tayayá

'Sabemos desde os Twitter Files e a Vaza Toga que os censores togados têm o hábito de terceirizar a censura para as plataformas digitais'

O Resort Tayayá, no Paraná; ministro Dias Toffoli estaria ligado ao local | Foto: Reprodução
O Tayayá Resort, no Paraná; ministro Dias Toffoli estaria ligado ao local | Foto: Reprodução/Redes sociais

Ano novo, censura velha. Eis que, das profundezas do lamaçal institucional em que se vê mergulhada, envolta que está até o último fio inexistente de cabelo na suprema calva, a ralé de toga continua se comportando como secretária-geral da vigilância ideológica estatal e guardiã da honra dos desonrados.

Nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, o jornalista e apresentador Cláudio Dantas teve seu programa ao vivo no YouTube subitamente interrompido e seu canal proscrito, sob a falsa alegação, por parte da plataforma, de que o conteúdo por ele produzido violava os “padrões da comunidade” referentes a armas de fogo. Ora, sabemos desde os Twitter Files e a Vaza Toga que os censores togados têm o hábito de terceirizar a censura para as plataformas digitais, coagindo-as a inventar desculpar ridículas como essa.

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A causa verdadeira, no entanto, é facilmente intuída: Dantas vem sendo um dos jornalistas a cobrir com maior quantidade de detalhes e a denunciar com maior veemência a promiscuidade da casta magisterial com o dono do Master e outros praticantes do mais puro capitalismo de compadrio. Trata-se, portanto, mais uma vez, da tentativa de aniquilar toda crítica política à atuação de instituições públicas e dos ministros do STF.

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Quase simultaneamente ao ataque contra Dantas, também a Revista Timeline — publicação digital fundada por Luís Ernesto Lacombe, Allan dos Santos e Max Cardoso — teve suas contas no X, Instagram e YouTube bloqueadas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), numa decisão sigilosa que não explicou o motivo da suspensão. A censura ocorreu justamente enquanto seu programa Conversa Timeline estava no ar. Como se vê, a obsessão de Moraes por Allan dos Santos não arrefece.

Censura, Tayayá e Master

Coincidentemente, ambos os alvos das medidas são vozes críticas vigorosas à juristocracia, especialmente ao extremista político Alexandre de Moraes, cuja atuação à frente do Inquérito das Fake News e demais atos institucionais oriundos do partido-corte já gerou críticas amplas – e até mesmo uma sanção internacional, por ora revogada. 

O escandaloso episódio do Banco Master, envolto em suspeitas bilionárias, revelou justamente a tentativa de silenciar vozes que indagam, investigam e criticam. E, ainda assim, a ralé de toga, que arruinou a instituição de que fazem parte, bem como o próprio Estado de Direito no Brasil, continua detendo poderes de censura prévia e de perseguição político-ideológica sobre cidadãos, veículos de imprensa e criadores de conteúdo. É uma aberração institucional que deveria estar abolida em uma democracia de fato: um tribunal que massacra a liberdade de expressão enquanto recusa a submeter-se ao escrutínio público.

O dado mais inquietante, contudo, não é apenas o avanço da censura sob roupagem jurídica, mas o contraste cada vez mais visível entre a magnitude dos poderes concentrados e a estatura institucional de quem os exerce. A República brasileira entregou a um punhado de homens viciosos competências que, em qualquer democracia estável, estariam distribuídas, limitadas e rigidamente fiscalizadas.

O problema, por óbvio, não é que juízes tenham poder — isso é próprio do Estado de Direito. O problema é quando esse poder cresce em proporção inversa à prudência, à sobriedade e à consciência de seus limites. Instituições fortes podem ser sustentadas por homens medianos apenas quando existem freios robustos; quando os freios falham, a mediania se torna risco sistêmico. Quando, para piorar, os homens de poder encontram-se não na média, mas abaixo dela em termos de virtudes cívicas e morais, o que temos é essa República em ruínas – que, muito adequadamente, já começa a ser conhecida como “a República do Tayayá”.

Leia também: “Os Poderes apodrecem na Praça”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 306 da Revista Oeste

1 comentário
  1. Moisés Fróes
    Moisés Fróes

    República do TAYAYÁ, República do MASTER, República do roubo do INSS, República do VORCARO (FOI SÓ OS 129MI, não tem s…?).
    MENSALÃO, PETROLÃO, TOFFOLÃO, MASTERLÃO, BARCILÃO,