Política

Ranking de corrupção: governo Lula falhou na resposta ao escândalo do INSS

Documento menciona trocas no comando da Previdência e cita omissões diante do maior desvio já registrado no setor

O presidente Lula da Silva: desaprovação crescente | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
As críticas surgem em meio ao escândalo revelado pela Polícia Federal (PF) em abril de 2025, com a deflagração da Operação Sem Desconto | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O relatório Retrospectiva Brasil 2025, divulgado pela ONG Transparência Internacional, afirma que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva “falhou gravemente” ao lidar com o escândalo dos descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Para a ONG, o Executivo não reagiu com a urgência exigida pela gravidade do caso. O documento cita como exemplo a substituição do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, por Wolney Queiroz, que atuava como secretário-executivo da pasta. A escolha, segundo a entidade, envolveu um aliado político direto e não representou uma ruptura clara com a condução anterior.

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As críticas surgem em meio ao escândalo revelado pela Polícia Federal (PF) em abril de 2025, com a deflagração da Operação Sem Desconto. A investigação expôs um esquema de corrupção previdenciária que operava com propina a servidores, uso de assinaturas falsas e criação de associações de fachada.

Essas entidades, controladas por laranjas, cadastravam beneficiários sem autorização e iniciavam descontos diretamente na folha de pagamento.

Em alguns casos, um mesmo aposentado foi filiado a mais de uma associação no mesmo dia. Segundo a PF e a Controladoria-Geral da União, os valores desviados entre 2019 e 2024 podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

A liberação de descontos em lote pelo próprio INSS, sem autorização individual, permitiu que as fraudes se disseminassem em escala nacional. Esse cenário, segundo a Transparência, expôs “falhas de controle, coordenação e resposta do governo frente ao caso do INSS, maior esquema de corrupção previdenciária da história brasileira”.

Investigações indicam vínculos entre empresário e filho do presidente

Nesse contexto, ganha relevância o nome de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Segundo os investigadores, teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses, com repasses que teriam como destino o pagamento de propina a servidores graduados. Em uma das transações, teria transferido R$ 7,5 milhões para empresas ligadas à mulher de um ex-procurador do instituto.

O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aparece em trechos da investigação como figura próxima de Careca. Reportagem do portal Metrópoles revelou que uma mansão alugada por Roberta Luchsinger — sócia de Careca — passou a ser usada com frequência por Lulinha.

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Em outro episódio, mensagens da PF mostram Careca pedindo a entrega de uma encomenda em um imóvel alugado por ele.

Os investigadores também identificaram uma transferência de R$ 1,5 milhão a Luchsinger, com menção ao “filho do rapaz”. Além disso, relatórios indicam que Careca e Lulinha viajaram juntos para Portugal, em novembro de 2024, e que ele recebeu mesadas de até R$ 300 mil. Apesar das citações, Lulinha não figura entre os alvos formais da operação.

Ainda assim, o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou que Careca teria buscado influência política por meio do filho do presidente, inclusive para tentar ampliar contratos com o governo federal, como o fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde.

Blindagem trava avanços da CPMI do INSS

A CPMI enfrentou resistência interna ao tentar avançar sobre nomes ligados ao entorno de Lula. Requerimentos para convocar figuras como Lulinha e Frei Chico, irmão do petista, sofreram ampla rejeição. Embora citados em trechos da investigação, ambos ficaram fora da lista de depoentes.

Parlamentares da oposição acusaram a base governista de promover uma blindagem sistemática para evitar o avanço das apurações sobre aliados políticos. Integrantes da CPMI relataram dificuldade em aprovar diligências ou convocações que envolvessem nomes próximos ao Planalto.

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“É uma vergonha para mim que tenham parlamentares que sigam cegamente a ordem de blindagem”, disse Alfredo Gaspar (União-AL), relator da comissão, ao programa Oeste com Elas.

Em sua avaliação, a comissão precisa de mais tempo para aprofundar as investigações. Embora os trabalhos estejam oficialmente previstos para encerrar em 28 de março, o parlamentar defende a prorrogação dos prazos diante da complexidade do caso.

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