Haddad: transferência ampla de votos de Bolsonaro para Flávio desafia lógica eleitoral
Ministro afirma que avanço do senador não segue padrões e representa um caso raro de adesão espontânea

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a transferência de apoio de Jair Bolsonaro ao seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foge ao padrão político-eleitoral. Segundo o petista, o movimento se destaca por ocorrer de maneira “quase automática”, sem depender da figura específica do candidato.
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Haddad deu a declaração na terça-feira 10, durante um evento do banco BTG Pactual. Interpelado sobre a disputa presidencial deste ano, ele comentou o avanço da pré-candidatura do senador. Segundo o petista, o eleitorado vinculado ao ex-presidente tem demonstrado disposição para apoiar qualquer nome que ele endosse.
“É muito curioso do ponto de vista político-eleitoral, porque é uma transferência de voto quase que independente do candidato”, disse. “É assim que vejo o fenômeno, que é coisa rara na política. Tanto é que você viu que a partir do momento que se firmou a candidatura do Flávio, ele foi angariando apoio equivalente ao de qualquer outro possível candidato do campo bolsonarista.”
Pesquisa indica vantagem de Flávio sobre Lula em SP
A leitura de Haddad encontra respaldo em dados de intenção de voto. Em São Paulo, por exemplo, levantamento do Paraná Pesquisas mostra Flávio 4,1 pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o estudo, o senador tem 37,8% das preferências no Estado, contra 33,7% de Lula. No mesmo cenário, o instituto incluiu outros cinco nomes. Ratinho Júnior (PSD) tem 8,2%; Romeu Zema (Novo), 3,2%; Tereza Cristina (PP-MS), 2,7%; Renan Santos (Missão), 2,2%; e Aldo Rebelo (Democracia Cristã), 1,3%.
“Todo mundo está vendo que há uma clara opção, por parte da grande maioria do eleitorado, que coloca Flávio Bolsonaro e o candidato ‘das trevas’ com pisos muito altos”, disse o senador. “Mas tenho certeza de que essa possível terceira via, não estando, não passando para o segundo turno, não vai caminhar com o Lula também.”

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