Ibaneis defende projeto para evitar federalização do BRB
Proposta autoriza empréstimo bilionário e uso de imóveis públicos para reforçar patrimônio da instituição

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), falou pela primeira vez sobre o projeto que prevê medidas para restabelecer as condições econômico-financeiras do Banco Regional de Brasília (BRB).
Em entrevista ao portal Metrópoles, nesta quarta-feira, 25, Ibaneis afirmou que cabe ao Parlamento local debater, aprimorar e aprovar ou rejeitar a proposta. Segundo ele, a discussão não envolve apoio político ao governo. “É uma questão de dar sobrevivência ao BRB, seus mais de 4,5 mil colaboradores e milhares de empregos”, declarou.
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O governador também ressaltou a função social do banco no Distrito Federal. “O BRB opera programas sociais e o sistema de bilhetagem.”
BRB e o pacote de medidas do governo do DF
O projeto autoriza o governo do Distrito Federal, como acionista controlador, a adotar medidas para fortalecer o patrimônio e a liquidez da instituição. A iniciativa surge depois de prejuízos ligados à compra de ativos podres do Banco Master, investigados pela Polícia Federal e que o Banco Central liquidou em 18 de novembro de 2025.
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Entre as medidas previstas está o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito ou outras instituições financeiras. O texto também autoriza o uso de nove imóveis públicos como garantia ou para venda.
Ibaneis declarou que eventuais responsáveis por irregularidades serão identificados. “Se houve culpados nesse processo, certamente a Justiça vai encontrar.” Ele acrescentou que o BRB contratou auditoria independente da Machado Meyer, em parceria com a Kroll. Segundo o governador, o banco ajuizou ações para bloqueio de ativos.
Os processos ligados ao BRB e ao Banco Master tramitam sob sigilo por determinação do Supremo Tribunal Federal.
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O governo do Distrito Federal enviou o projeto à Câmara Legislativa do Distrito Federal na última sexta-feira, 20. A primeira versão autorizava o uso de 12 imóveis públicos. Dois dias depois, o Executivo encaminhou novo texto. O Executivo reduziu o número para nove imóveis e fixou o teto do empréstimo em R$ 6,6 bilhões. Deputados da base e da oposição não chegaram a consenso. Diante do impasse, a mesa diretora adiou a votação.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, deve se reunir com parlamentares na próxima segunda-feira, 2. O líder do governo na Casa, deputado Hermeto (MDB), afirmou que o banco corre risco de federalização.
O BRB informou que não recebeu comunicação do Banco Central sobre essa possibilidade.

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