Juscelino Kubitschek exigiu vitória da seleção contra a URSS na Copa de1958

O presidente brasileiro fez o pedido em meio à Guerra Fria que dividia o mundo

  • Por Thiago Uberreich
  • 27/02/2026 07h00
Arquivo Público do DF d

O presidente Juscelino Kubitschek aproveitou ao máximo a conquista na Copa de 1958 para exaltar a grandiosidade nacional. Depois da vitória na final diante da Suécia, em Estocolmo, por 5 a 2, JK comemorou o triunfo. Ele fez questão de estar na futura capital, Brasília, que seria inaugurada em abril de 1960, conforme informava O Globo: O presidente Juscelino Kubitschek, em companhia de sua família, ouviu a irradiação do jogo Brasil x Suécia no living room do Hotel Turismo de Brasília. Ele estava acompanhado de membros do gabinete militar e civil da presidência e de grande número de jornalistas e hóspedes do hotel, sobretudo participantes da Conferência Internacional de Investimentos que aqui vieram encerrar esse conclave”

Depois do jogo, JK fez um pronunciamento: Foi com profunda emoção que, de Brasília, onde acabamos de ouvir a brilhante exibição dos brasileiros, recebemos a grande notícia da vitória, ansiosamente esperada. Quero confessar a alegria que neste instante domina toda a nação por ver o Brasil que já não mais conhece derrotas e que a sua mocidade sabe ostentar vitoriosa o seu nome. Queiram aceitar as felicitações mais calorosas do presidente do Brasil e transmitir nossas saudações aos bravos adversários suecos que se postaram com tanta galhardia e hospitalidade.”

As publicações desse período registram que, dias antes do embarque para a Europa, o presidente Juscelino Kubitschek chamou o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, para uma conversa. Eles discutiram um possível empréstimo, via Banco do Brasil, para custear a viagem da CBD (atual CBF). O presidente brasileiro teria pedido também ao dirigente uma atenção especial para derrotar a URSS. Na avaliação dele, em plena Guerra Fria, seria importante ganhar dos “comunistas”.

A seleção brasileira, comandada por Vicente Feola, enfrentou os soviéticos na terceira rodada da fase de grupos, em Gotemburgo, quando estrearam Pelé e Garrincha. A equipe venceu por 2 a 0 com gols de Vavá e garantiu a classificação em primeiro lugar, em uma chave que tinha ainda Áustria e Inglaterra. 

A URSS era cercada de mistério e de simbologia política. As informações sobre os países do Leste Europeu, por trás da “Cortina de Ferro”, eram raras e desencontradas. A imprensa falava que a seleção soviética jogava um “futebol científico” e que era formada por “super-homens”. Entretanto, dentro de campo, os adversários desmoronaram aos pés de Garrincha. Além dos dribles desconcertantes, o jogador chutou uma bola na trave do goleiro Yashin, logo no início do duelo. A torcida, espantada, aplaudia e dava risada. Em outro lance, Pelé mandou a bola no travessão. Aos três minutos, Didi estava bem marcado na intermediária da União Soviética, mas esperou pelo melhor posicionamento de Vavá que recebeu a bola, invadiu a área e tocou com o pé direito: 1 a 0. O centroavante brasileiro marcou o segundo gol aos 32 da etapa final. 

O pedido do presidente Juscelino Kubitschek foi devidamente atendido!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.