Mais da metade dos evangélicos vê ofensa em homenagem a Lula no Carnaval
O levantamento do Instituto Ideia mostrou que mais de 60% dos entrevistados classificaram a representação como uma afronta

Uma pesquisa do Instituto Ideia revelou que mais da metade dos evangélicos vê como ofensiva ou preconceituosa a ala “Família em Conserva” do desfile da Acadêmicos de Niterói, na Sapucaí. A escola homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, 15, e foi rebaixada na última quarta-feira, 18.
O levantamento mostrou que mais de 60% dos entrevistados classificaram a representação do segmento religioso como uma afronta à liberdade de crença ou como manifestação de preconceito.
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Entre os participantes, 11% consideraram a ala uma crítica artística legítima, enquanto quase 9% enxergaram a apresentação como sátira aceitável. Outros 19% declararam não ter opinião formada sobre o tema. A pesquisa destaca, assim, que a visão de ofensa e preconceito é predominante entre os evangélicos consultados.
Alcance da polêmica e reações políticas
Além disso, o levantamento evidenciou que 76% dos evangélicos tiveram algum tipo de contato com a ala “Família em Conserva”: 19% assistiram ao desfile ou a vídeos, e quase 46% souberam do episódio por meio de reportagens ou redes sociais. Apenas 23% disseram não ter visto ou ouvido falar sobre o tema.
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Depois do desfile, movimentos da oposição intensificaram críticas ao presidente e à escola de samba. As frentes parlamentares evangélica e católica publicaram notas nas quais reprovam o conteúdo apresentado. Também exigiram responsabilização dos envolvidos na organização do desfile.
Em relação ao impacto do episódio, 48% dos entrevistados afirmaram que a situação contribui para aumentar a polarização religiosa e política ou favorece a normalização da discriminação simbólica. Em contrapartida, 38% acreditam que a polêmica incentiva o debate público e estimula a reflexão crítica. Outros 13% consideraram que o desfile não trouxe impacto relevante.
Percepção de outros grupos
Quanto à possibilidade de reação de outros grupos, 35% afirmaram que haveria maior repercussão se outra religião fosse alvo da sátira, enquanto 14% discordaram e 29% disseram que a resposta seria semelhante. Já quase 21% não souberam opinar.
As entrevistas ocorreram on-line na última quarta-feira, com 656 participantes de 315 municípios que se identificaram como protestantes ou evangélicos. A margem de erro da pesquisa é de 3,8 pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.
Contexto eleitoral e reações do governo Lula
No aspecto eleitoral, o episódio ocorre em meio a um cenário de rejeição expressiva de Lula entre evangélicos. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste mês, indica desaprovação de 61% do segmento ao presidente, enquanto 34% aprovam a atual gestão. No total da população, a taxa de reprovação é de 49%, ante 45% de aprovação.
Lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) reconhecem a necessidade de iniciativas para retomar o diálogo com o público evangélico. Os petistas visam a recuperar o apoio perdido depois da repercussão negativa do desfile.
A situação motivou reação do Palácio do Planalto na quinta-feira 19. O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, declarou que publicações críticas ao governo e ao presidente são impulsionadas nas redes sociais.
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Segundo Palmeira, a direção do PT considera levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral em razão da disseminação dessas postagens. Para o chefe da pasta, “é uma coisa impulsionada, feita intencionalmente”. “É oportunismo eleitoral”, afirmou.




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