Mensagens revelam encontros de Vorcaro com Hugo Motta, presidente da Câmara
O próprio banqueiro relatou à namorada que estava em Brasília a trabalho e participava de um jantar na residência oficial com o deputado e seis empresários

Mensagens extraídas da quebra de sigilo telefônico de Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, revelam que ele participou de um jantar com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, logo depois da eleição do deputado ao cargo, em fevereiro de 2025. O próprio Vorcaro relatou à namorada, Martha Graeff, que estava em Brasília trabalhando, e que se encontrava em um jantar na residência oficial com Motta e seis empresários na noite do dia 26.
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A conversa mostra que Graeff tentou contato por telefone, mas Vorcaro justificou sua ausência. “Tô num jantar na residência oficial com Hugo e seis empresários”, afirmou. Questionada sobre o relacionamento, a equipe de Motta não respondeu ao jornal Folha de S.Paulo, que procurou o gabinete por WhatsApp às 23h40 desta quarta-feira, 4.
Relações políticas e influência no mercado
Em outra troca de mensagens, já em março de 2025, Vorcaro relatou novo encontro com Motta e fez menção a “Ciro”, provável referência ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem classificou como “grande amigo”. “Estou sim, acabou chegando Hugo e Ciro aqui pra falarem com Alexandre. Não deve demorar. Mas se vc for dormir eu saio e te chamo”.
O ex-banqueiro mantinha contato frequente com figuras políticas e jurídicas de destaque. O Banco Master chegou a contratar o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes (STF), pagando R$ 3,6 milhões mensais para defender os interesses da instituição. Em maio de 2024, Vorcaro disse à namorada: “É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”.
Em agosto do mesmo ano, voltou a mencionar o senador em conversa sobre uma proposta de Emenda Constitucional apresentada por Ciro Nogueira. “Ciro [Nogueira] soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco. (…) Todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”, confidenciou Vorcaro.
Proposta polêmica e desconfiança do mercado
A proposta sugeria elevar para R$ 1 milhão por CPF o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), atualmente fixado em R$ 250 mil. O Banco Master divulgava seus CDBs, que ofereciam até 140% do CDI, usando a garantia do FGC como estratégia para atrair investidores e afirmar ausência de riscos.
No entanto, o setor financeiro criticou a medida, desconfiando do rápido crescimento do Master e sua capacidade de honrar os pagamentos dos títulos. A partir do fim de 2024, o banco enfrentou dificuldades para liquidar compromissos com detentores de CDBs, agravando as suspeitas do mercado.
Investigações e suspeitas de operações fraudulentas
As investigações apontam que o Master teria utilizado operações com o BRB (Banco de Brasília) para mascarar a criação de carteiras falsas de crédito consignado. Esse artifício teria inflado artificialmente o balanço patrimonial do banco, segundo apurações dos investigadores.
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