Mercosul-UE: Não existe livre comércio sem ônus
A preocupação agora dos países membros do Mercosul é de que a UE utilize leis ambientais relacionadas ao desmatamento, não previstas no acordo, para suspender o comércio entre os blocos por meio do Regulamento Europeu de Desmatamento
A União Europeia (EU) quer um acordo de livre comércio com o Mercosul desde que não tenha nenhum ônus para os países do velho continente. O problema é que essa possibilidade não existe. Invariavelmente, na queda das barreiras protecionistas, uns setores se beneficiarão, e outros, não. Os vencedores serão os mais produtivos, e os perdedores, os menos eficientes.
A preocupação agora dos países membros do Mercosul é de que a UE utilize leis ambientais relacionadas ao desmatamento, não previstas no acordo, para suspender o comércio entre os blocos por meio do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR). A preocupação é válida, uma vez que os países europeus poderão acionar o dispositivo para atender a pressão de agricultores, sob a falsa alegação de que os produtos brasileiros são cultivados em áreas desmatadas.
Outra fonte de apreensão é a possibilidade da União Europeia suspender o acordo sempre que as importações pelos países europeus do Mercosul aumentarem em 5% em relação à média dos últimos 3 anos.
Com todas essas restrições, o acordo de livre comércio entre os blocos pode ficar capenga, com prejuízo para os consumidores de todos os países envolvidos. A piora para a população é confirmada pela evidência acadêmica e a experiência internacional que mostram os ganhos do avanço da globalização.
Além dos incrementos de produtividade, melhora da qualidade de produtos, barateamento das mercadorias e aumento de renda, o acordo poderá i. diminuir a dependência comercial dos europeus com os EUA, principalmente após a guerra tarifária iniciada por Donald Trump, e ii. Ajudar no enfrentamento da concorrência com os países asiáticos, especialmente a China.
Para a UE, não é apenas uma questão de ganhos econômicos, mas também de sobrevivência.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.