Política

Missão aposta na segurança pública para atrair eleitores

Partido quer declarar guerra ao crime, endurecer penas e retomar territórios dominados por facções

No campo penal, Renan Santos manifestou apoio a penas mais severas aos criminosos | Foto: Reprodução/Instagram/Missão
No campo penal, Renan Santos manifestou apoio a penas mais severas aos criminosos | Foto: Reprodução/Instagram/Missão

O Missão escolheu a segurança pública como um dos assuntos-chave da estratégia eleitoral do partido nas eleições deste ano. A ideia é fortalecer o discurso contra o crime organizado, defender o endurecimento penal e promover a retomada de territórios dominados por facções criminosas.

O presidente do partido e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Renan Santos, reforça publicamente a necessidade de o país declarar guerra ao crime. Em entrevistas, afirmou que o Missão pretende adotar medidas drásticas contra organizações criminosas, com atuação mais incisiva do Estado e uso ampliado dos instrumentos legais disponíveis. A proposta é reocupar áreas dominadas por narcotraficantes e impor controle estatal onde hoje atuam facções.

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No campo penal, Renan Santos manifesta apoio a penas mais severas aos criminosos. Em declarações públicas, mencionou a defesa da prisão perpétua e a abertura do debate sobre pena de morte. Para o Missão, essas ideias compõem uma agenda voltada à dissuasão do crime e à restauração da autoridade do Estado.

As lideranças do Missão

Essa visão é compartilhada por outras lideranças do partido. A vereadora paulistana Amanda Vettorazzo, por exemplo, afirma que o Missão pretende tratar o enfrentamento do crime organizado como prioridade, com foco em segurança pública e políticas urbanas. Em entrevistas, defendeu a chamada “desfavelização”, apresentada como estratégia para reduzir áreas de domínio do crime e integrá-las às zonas urbanas formais.

Amanda Vettorazzo é candidata a vereadora de São Paulo pelo União Brasil
Amanda Vettorazzo é vereadora de São Paulo pelo União Brasil | Foto: Reprodução/Facebook/@amandavettorazzo.sp

Já o deputado federal Kim Kataguiri, um dos nomes mais conhecidos do partido, defende um pacote que combine repressão e prevenção. Em pronunciamentos, destacou que organizações criminosas atuam de forma estruturada, o que exigiria respostas mais rígidas e coordenadas do Estado.

Deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) também quer aumentar isenção para compras on-line no valor de até US$ 100 | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Kim Kataguiri é um dos fundadores do MBL | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Esse discurso é reforçado por slogans de forte apelo popular. Entre apoiadores e militantes ligados ao partido, circula o bordão “prendeu, matou”, utilizado para sintetizar a defesa de uma atuação policial considerada mais imediata e rigorosa contra o crime organizado. Essa frase tem aparecido em manifestações, nas redes sociais e em materiais informais associados ao Missão.

O efeito Bukele

Dirigentes do partido também citam referências internacionais para sustentar suas propostas. O governo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, é mencionado como exemplo de política de segurança baseada no enfrentamento das facções criminosas. O chamado “modelo Bukele” é considerado por integrantes do Missão como parâmetro de resultados que gostariam de reproduzir no Brasil.

O discurso de combate ao crime organizado impactou positivamente a Geração Z. Um recorte divulgado pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que, entre os eleitores mais jovens — especificamente os de 16 a 24 anos, faixa associada à chamada Geração Z —, Renan Santos aparece com cerca de 18,6% das intenções de voto para presidente, ficando atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse segmento etário.

Foto: Divulgação/Atlas/Intel
Renan Santos estaria no segundo turno, se os votantes fossem apenas a Geração Z | Foto: Divulgação/AtlasIntel/Bloomberg

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