Política

Motta mantém Derrite na relatoria do PL Antifacção

Decisão do presidente da Câmara contraria base governista, que acusa deputado de 'desfigurar' texto original

Guilherme Derrite, relator do PL Antifacção na Câmara | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Guilherme Derrite, relator do PL Antifacção na Câmara | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta quinta-feira, 19, a permanência de Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do Projeto de Lei (PL) Antifacção. A decisão ignora a pressão do Palácio do Planalto, que articulava a troca do parlamentar logo que o texto retornou do Senado com modificações estruturais. Como a proposta passou a trancar a pauta da Casa, os deputados devem analisar a matéria já na próxima semana para destravar as demais votações.

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Aliado do governador Tarcísio de Freitas, Guilherme Derrite comandou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo antes de reassumir o mandato. Sua atuação na primeira tramitação do projeto gerou forte atrito entre Hugo Motta e o presidente Lula, pois o relator apresentou seis versões diferentes da proposta. Governistas acusam Derrite de “desfigurar” o plano original do governo e de incluir dispositivos que enfraquecem a Polícia Federal.

Embate entre governo e oposição sobre o PL Antifacção

A base governista criticou duramente a manutenção da relatoria. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a medida como um “novo erro”, sustentando que o texto de Derrite cria brechas que beneficiam o crime organizado. Já o líder do PT, Pedro Uczai (PT-SC), adiantou que o partido defenderá a versão aprovada pelo Senado. Segundo o parlamentar, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) — aliado do governo — aperfeiçoou o texto, tornando-o “consistente” com as prioridades do Executivo.

Por outro lado, a oposição celebrou a escolha de Motta. O líder do bloco oposicionista, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que Derrite reúne as condições técnicas necessárias para a função e acusou o governo de “politizar a segurança pública”. Para os opositores, a permanência do deputado garante que o Projeto Antifacção mantenha o rigor necessário contra as organizações criminosas, sem as amarras ideológicas sugeridas pelo Ministério da Justiça.

Próximos passos e o trancamento da pauta

O Projeto Antifacção tem como objetivo central endurecer o combate às estruturas financeiras e operacionais das facções no Brasil. Com o retorno da matéria à Câmara, os deputados precisam decidir se acatam as alterações feitas pelos senadores ou se retomam a versão aprovada pelos próprios deputados em 2025.

A estratégia de Hugo Motta ao manter o relator sinaliza uma tentativa de equilíbrio de forças em um momento de sucessão na presidência da Câmara. Enquanto o governo corre para restabelecer os pontos de interesse do Ministério da Justiça, o grupo liderado por Derrite foca em manter as alterações feitas pela ala conservadora. A votação da próxima semana definirá qual modelo de segurança pública prevalecerá no enfrentamento ao crime organizado no país.

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