Política

‘Nenhum tapete político vai esconder’, diz senador, sobre o caso Master

Alessandro Vieira destaca a importância da quebra de sigilos e cobra transparência na atuação do Senado para investigar Moraes e Toffoli

O senador Alessandro Vieira (MDB/SE), durante entrevista ao programa Oeste Negócios | Foto: Reprodução/YouTube/Revista Oeste
O senador Alessandro Vieira (MDB/SE), durante entrevista ao programa Oeste Negócios | Foto: Reprodução/YouTube/Revista Oeste

Investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e bilionários não é tarefa simples. Para o senador Alessandro Vieira (MDB/SE), ex-delegado da Polícia Civil com 25 anos de experiência, é um desafio que exige coragem e persistência. “Estamos lidando com gente poderosa, mas fatos graves exigem ação firme. Não podemos permitir que escândalos sejam encobertos”.

Em entrevista ao jornalista Adalberto Piotto, âncora do programa Oeste Negócios, Vieira, que é relator da CPI do Crime Organizado, afirmou na noite desta segunda-feira, 9, que desde 2019 apura o que considera irregularidades ligadas a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Ele lembra que seu primeiro pedido de impeachment foi motivado pelo que classificou como instauração ilegal do inquérito das fake news. “A pressão da imprensa e da sociedade é essencial para que o Senado cumpra seu papel constitucional”.

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Para senador, quebras de sigilo são “o caminho para a verdade”

Referente ao caso Master, o senador reforçou que a verdadeira prova não está em depoimentos, mas nas quebras de sigilo e cruzamento de dados. “Apresentamos requerimentos na CPI do Crime Organizado para investigar transações de familiares dos ministros e do grupo controlador do Banco Master”.

Até agora, Vieira afirma que não encontrou obstáculos formais na comissão presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT/SE). “As pressões e ameaças existem, mas seguimos com transparência para revelar fatos que muitos preferem manter ocultos”. Ele destacou que a atuação do eleitor é crucial. “Cada brasileiro poderá acompanhar o voto dos senadores. Quem se omitir diante de fatos gravíssimos, pagará preço político e eleitoral. A verdade precisa vir à tona, e cabe ao Senado atuar com firmeza”.

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O senador disse que busca acesso a documentos e contratos familiares que possam comprovar se as transações são lícitas ou se escondem movimentações irregulares. “Ter dados concretos é a única forma de fortalecer a confiança no Senado e dar visibilidade à verdade. Estou fazendo o meu papel aqui e espero que os colegas também tenham essa coragem”.

Na visão do parlamentar, os fatos empurram a política. “Cada cidadão vai poder acompanhar o voto do senador de seu Estado, com as consequências naturais. Então, talvez aí você tenha energia suficiente para ir empurrando esses fatos que são, a priori, fatos gravíssimos, que exigem uma atuação firme no Senado”.

Vieira afirmou que “é muito difícil mexer com gente tão poderosa como são os ministros e os bilionários que estão lá do outro lado do balcão. Mas a maior parte deles, com quem eu tenho conversado, compreende a gravidade dos fatos, a importância de uma atuação do Senado. Acho que quanto mais você der publicidade, mais perto a gente chega na resolução. Vai ser um teste para a instituição”. 

O parlamentar acredita ser complicado para qualquer senador se posicionar contra a investigação. “Esse é o Congresso que vem aprovando legislação muito dura com relação ao criminoso comum. E o que a gente está fazendo não é uma condenação prévia de ninguém. O que a gente está fazendo é buscar meios para traduzir a verdade, para dar visibilidade. Se não tem nada errado, se os irmãos do ministro Toffoli não fizeram nada de errado, se a esposa ou os familiares do ministro Alexandre não fizeram nada, é uma oportunidade de defesa para o investigado”. 

Vieira diz que o que traz prova de verdade são as quebras e o cruzamento de dados. “É isso que a gente quer acessar e dar transparência. Porque se de fato se comprovar que existe essa transferência de recursos e isso efetivamente chega a alguns ministros, é um escândalo que nenhum tapete vai conseguir esconder”.

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