O cão Orelha era da minha igreja
O cãozinho morto brutalmente deixou a memória de um olhar brincalhão, pacífico e ingênuo
Luiz Sayão - 09/02/2026 09h27

O cão orelha era da minha igreja. E eu nem sabia. Infelizmente, ele nunca esteve lá fisicamente. Teríamos brincado bastante. Mas, nosso encontro poético e solidário é real e totalmente inquestionável.
O cãozinho morto brutalmente com muita crueldade deixou a memória de um olhar brincalhão, pacífico e ingênuo. Era pra ser assim com toda a gente.
As condolências e a solidariedade pelo pobre cãozinho muito me chamou a atenção: pessoas de todo o tipo passaram a se unir sem ressalvas, sem qualquer conflito ou discriminação. Autoridades, políticos, religiosos, atletas, celebridades etc não conseguiram façanha semelhante. Orelha conseguiu! Todos juntos pelo cãozinho!
Pareceu um aperitivo de Isaías 11:6: “O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se deitará com o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos; e uma criança os guiará”.
Como o pobre cãozinho conseguiu? Ele veio despertar o que há de melhor na humanidade: afeto, compaixão, justiça e solidariedade! Ideologias, paixão política, preferências pessoais etc foram esquecidas e preteridas. Que sonho! Um sonho de uma noite de verão!
Pensando bem, não é que o Criador já tinha sinalizado que os animais estariam a Seu nobre serviço! A tarefa de ensinar gente “cabeça-dura” que precisava de uma lição. A jumenta que repreendeu o profeta Balaão. Os corvos que alimentaram o deprimido profeta Elias. O grande peixe que deu grande lição a Jonas, o profeta fujão. Três animais diferentes ensinando profetas que pregavam pra toda a gente. Santa ironia e advertência a todo crente.
Seria o Orelha mais uma exortação animal pra essa humanidade tão carente? Teria a dor injusta do cãozinho desarmado o coração da galera impenitente? Veio ele ecoar um “puxão de orelha” sagrado e urgente.
Em nossa igreja sempre dizemos que somos ovelhas. Hoje direi somos todos “orelha”. Que o Criador faça uso dessa dor para reacender em nós a sua centelha. Em nome de Jesus. Amém.
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Luiz Sayão é hebraísta, teólogo, linguista, tradutor bíblico e pastor da Igreja Batista Nações Unidas. |














