O triunfo da consciência cristã no carnaval
Campina Grande, na Paraíba, consolida-se como um exemplo singular de convivência e pluralidade
Rafael Durand - 12/02/2026 16h22
Enquanto grande parte do Brasil se volta para as festividades carnavalescas tradicionais, a cidade de Campina Grande, na Paraíba, consolida-se como um exemplo singular de convivência e pluralidade.
O chamado Carnaval da Paz transformou o período momesco em um calendário paralelo de encontros religiosos e filosóficos, reunindo evangélicos na Consciência Cristã, católicos no evento Crescer, espíritas no MIEP, além de encontros adventistas e filosóficos.
Essa rede de eventos faz da cidade um espaço de tolerância, na qual a espiritualidade e a paz prevalecem, criando uma alternativa real ao esvaziamento histórico desse período no município.
Consciência cristã: O alicerce da fé e do conhecimento
O grande expoente desse cenário, sem dúvida, é a Consciência Cristã, que em 2026 chega à sua 28ª edição. Realizado entre os dias 12 e 17 de fevereiro, o evento traz como tema central “A Igreja de Cristo”, consolidando-se como um espaço vital para a reflexão sobre a missão e a identidade do corpo de cristãos no mundo contemporâneo.
Neste sentido, o evento não é, meramente, uma reunião de fé, mas um robusto polo de produção intelectual e teológica que atrai um público circulante estimado em 100 mil pessoas apenas no Parque do Povo (seu polo principal).
Com uma profundidade acadêmica rara em eventos de massa, a programação oferece 16 plenárias e mais de 13 eventos paralelos conduzidos por mais de 50 preletores do Brasil e do exterior, desenhados especificamente para o fortalecimento de famílias e caravanas.
Um dos pilares fundamentais dessa estrutura é a Feira do Livro da Consciência Cristã (FELICC), consolidada hoje como a maior feira de livros cristãos do Brasil.
A feira destaca-se pelo imenso volume de vendas e pela capacidade de atrair leitores ávidos por literatura bíblica de qualidade, provando que o público da Consciência Cristã busca o investimento em capital intelectual e teológico.
Além disso, a segurança é um diferencial absoluto: o evento é marcado por ser totalmente pacífico, sem qualquer registro de ocorrências de crimes ou violência em suas imediações.
Tenho o privilégio de morar em Campina Grande e de acompanhar de perto a evolução deste encontro há 15 anos. Por experiência própria, recomendo a todos que possam vivenciar este oásis presencialmente ou, caso não seja possível, que acompanhem as ricas palestras e plenárias de forma online. É uma jornada que transforma não apenas a cidade, mas a vida de cada participante.
O exemplo vivo da laicidade colaborativa
O sucesso de Campina Grande é a prova real de que a laicidade colaborativa funciona em benefício da sociedade. O Estado laico não deve ser um deserto religioso, mas um facilitador da livre expressão de fé, tratando esses eventos como ativos turísticos estratégicos.
Os dados econômicos de 2025 reforçam essa tese, com o Carnaval da Paz movimentando mais de R$ 16,3 milhões no município e garantindo que a rede hoteleira atinja impressionantes 95% de ocupação no pico do feriado.
Essa movimentação econômica não é efêmera, pois ela se reflete em uma taxa de fidelização extraordinária, em que mais de 98% dos visitantes manifestam a intenção de retornar no ano seguinte.
Campina Grande oferece, portanto, um modelo de desestacionalização do turismo e de respeito aos direitos fundamentais.
Em um período em que muitos buscam o passageiro, a Consciência Cristã entrega o eterno, transformando a Paraíba no maior polo de pensamento cristão do Hemisfério durante o carnaval.
Considerações finais
Portanto, o que se vive durante esses dias é o triunfo da liberdade de crença e da convivência pacífica. Campina Grande mostra que, quando o poder público respeita a vocação religiosa do seu povo e atua em colaboração com as instituições, o resultado é prosperidade, segurança e o fortalecimento dos valores que sustentam a nossa civilização.
O Carnaval da Paz é o testemunho de que a fé, quando vivida com liberdade, é capaz de fortalecer a fé e transformar a economia e o espírito de uma cidade inteira.
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Rafael Durand é advogado, mestre em Direito, pós-graduado em Direito Público e em Direito Digital, professor, membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-PB, fundador do NEPC3 – Núcleo de Estudos em Política, Cidadania e Cosmovisão Cristã, autor de artigos e obras jurídicas. |











