Reportagem do The Intercept Brasil, fundado por Glenn Greenwald, critica a Associação Guadalupe, acusando-a de impedir um aborto. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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Jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer, Glenn Greenwald fundou o Intercept Brasil, um veículo de jornalismo investigativo que se autoproclama independente. Autor das denúncias que culminaram com o fim da operação Lava Jato, ele é, também, crítico ferrenho da atuação de Alexandre de Moraes como ministro de nossa Suprema Corte.

Muito embora isso possa fazer transparecer que sua linha editorial não esteja submetida ao dualismo hoje reinante de direita/esquerda, é perceptível que o conteúdo das reportagens de seu site é predominantemente progressista.

Semana passada, por exemplo, o Intercept Brasil lançou uma reportagem criticando abertamente o trabalho realizado pela Associação Guadalupe, uma instituição voltada para o cuidado com as gestantes em situação de vulnerabilidade.

Dentre os vários despautérios contidos na matéria, o “repórter” investigativo acusou a Associação de ter tentado impedir um aborto em uma menina de 10 anos, em um caso que ocorreu no ano de 2020, em São Mateus, no Estado do Espírito Santo.

Não se sabe se é por uma total ausência de empatia ou se é por pura ignorância sobre nossas leis; o que se nota é que, para essas pessoas, se há alguma situação que se enquadra naquelas previstas no Código Penal que despenalizam o aborto, o único caminho aceitável é que se mate a criança que foi gerada.

Elas pensam que nossa legislação obriga a gestante a matar o bebê nessas situações, e isso, evidentemente, claramente, obviamente, manifestamente — e quantos “mentes” forem necessários — não é o que diz a letra da lei.

O Código Penal apenas informa que não se pune o médico e a gestante que praticarem o aborto naquelas condições (estupro e risco de vida), revelando que há uma — frise-se bem — possibilidade de se optar por esse caminho.

Da mesma forma, é importante deixar bem claro que, nesse processo de escolha, não há nenhum impedimento legal para que alguém ou alguma instituição possa entrar em contato com a gestante e apresentar a ela argumentos em defesa da vida.

Aliás, nossa legislação obriga que façamos justamente isso: como bem colocado no artigo 7º do Estatuto da Criança e do Adolescente, devemos efetivar políticas sociais públicas que fomentem o nascimento de crianças e, segundo o artigo 19-A da mesma lei, é necessário apresentar à gestante a opção da Entrega Legal.

De outro lado, pela obrigação que é imposta aos entes públicos de prestar informações claras e verdadeiras a seus administrados, o certo seria que os órgãos (assistentes sociais, Ministério Público, Defensoria Pública etc.) informassem à futura mãe sobre todas as consequências do aborto, tais como o incremento da possibilidade de sofrer depressão e suicídio, o aumento da incidência de câncer de mama e, como não poderia deixar de ser, a formação da consciência de que o aborto é, e sempre será, a decretação da morte de um ser humano inocente. E isso, infelizmente, parece que o Intercept Brasil realmente não sabe.

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Sua reportagem comete erros pueris e tenta induzir o leitor a formar um juízo negativo da Associação Virgem de Guadalupe e de outras tantas pessoas ali citadas, tão somente pelo fato de que elas defendem a vida.

Entretanto, desafiamos qualquer um dos redatores do Intercept Brasil a encontrar uma gota de arrependimento em alguma das quase 10.000 mães que já foram atendidas pela Associação Virgem de Guadalupe ou em qualquer das outras mães que optaram pela vida por meio da ajuda realizada pelas inúmeras casas pró-vida que existem espalhadas pelo nosso país. Hoje, ao invés de serem mães de um filho morto, são mães de filhos vivos, felizes e saudáveis, graças à ação dessas pessoas.

Quanto às crianças, independentemente da situação em que foram geradas, invariavelmente são sempre inocentes, e nunca deveria passar pela cabeça de qualquer ser humano impor a morte a esses vulneráveis bebês. Nem mesmo em situações de violência sexual haveria uma justificativa plausível, pois matar o inocente não soluciona nem ameniza a terrível e abominável violência que a mulher sofreu.

Lamentavelmente, Glenn Greenwald e seus editores parecem apenas enxergar o lado feio da história e pensam que a morte é a única solução possível.

É como se vivessem do lado avesso de um tear, com suas lentes enxergando apenas fios emaranhados e nós confusos, sem conseguir perceber a beleza da imagem que está se formando na arte do outro lado.

Nesse tear, a bela arte que se forma é a vida. Somente aqueles que não conseguem enxergar essa beleza é que podem pensar em destruí-la.

Roguemos para que, um dia, este competente jornalista investigativo e seus seguidores consigam retirar a venda de seus olhos para contemplarem o esplendor e a grandiosidade da vida nascente, única e irrepetível.