Países árabes condenam falas de embaixador dos EUA sobre direito de Israel no Oriente Médio

Comentário sobre possíveis direitos bíblicos de Israel, feito em entrevista a Tucker Carlson, foi classificado como imprudente e contrário ao direito internacional por governos da região

  • Por Jovem Pan
  • 22/02/2026 07h41 - Atualizado em 22/02/2026 07h41
Foto por ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee (à direita), sorri enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), se reúne com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não aparece na foto, no Salão Azul da Casa Branca, em Washington, DC, em 7 de julho de 2025. O primeiro-ministro Netanyahu se reunirá na segunda-feira com o presidente Trump, que expressou esperança de um "acordo esta semana" entre Israel e o Hamas que resulte na libertação de reféns da Faixa de Gaza. As negociações indiretas entre Israel e o Hamas começaram em 6 de julho em Doha, com o objetivo de intermediar um cessar-fogo e chegar a um acordo sobre a libertação de reféns em troca de prisioneiros palestinos. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee (à direita), sorri enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), se reúne com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não aparece na foto, no Salão Azul da Casa Branca, em Washington, DC, em 7 de julho de 2025. 

Países árabes condenaram neste sábado (21) as declarações do embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, que pareceu sugerir em uma entrevista que Israel teria direitos bíblicos sobre uma vasta faixa do Oriente Médio.

Huckabee, ex-ministro batista e fervoroso aliado de Israel, fez as declarações no podcast do jornalista americano de extrema direita Tucker Carlson, que além disso é crítico de Israel.

Em um episódio exibido na sexta-feira, Carlson pressionou Huckabee sobre o significado de um versículo bíblico que às vezes é interpretado como se Israel tivesse direito à terra entre o rio Nilo, no Egito, e o Eufrates, na Síria e no Iraque.

Em resposta, Huckabee disse: “Estaria bem se ficassem com tudo isso”.

No entanto, ao ser novamente questionado, Huckabee afirmou que Israel “não está pedindo para ficar com tudo isso” e acrescentou: “Foi, de certo modo, uma declaração hiperbólica”.

Vários países árabes condenaram o diplomata americano.

A Arábia Saudita descreveu suas palavras como “imprudentes” e “irresponsáveis”, enquanto a Jordânia disse que eram “um atentado contra a soberania dos países da região”.

O Kuwait classificou a declaração como “flagrante violação dos princípios do direito internacional”, enquanto Omã afirmou que os comentários “ameaçavam as perspectivas de paz” e a estabilidade na região.

O Ministério das Relações Exteriores do Egito reafirmou “que Israel não tem soberania sobre o território palestino ocupado nem sobre qualquer outra terra árabe”.

A Autoridade Palestina afirmou no X que as palavras de Huckabee “contradizem a rejeição do presidente americano Donald Trump à anexação da Cisjordânia por (Israel)”.

Neste sábado, Huckabee publicou duas mensagens no X esclarecendo ainda mais sua posição sobre outros temas mencionados na entrevista, mas não abordou seu comentário sobre o versículo bíblico.

*AFP