Política

PL aciona STF e acusa governo Lula de criar 'orçamento paralelo'

Petição compara a política fiscal petista às 'pedaladas' fiscais que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff

Ministros do governo Lula no dia da posse, Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 1/1/2023 | Foto: Montagem Revista Oeste/Ricardo Stuckert/PR

O Partido Liberal (PL) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a condução da política fiscal do governo Lula. Na ação, divulgada pelo portal Poder360, a legenda sustenta que a atual gestão adota práticas semelhantes às chamadas “pedaladas fiscais”, que fundamentaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

O questionamento foi apresentado na forma da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1305. Segundo o partido, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu um “orçamento paralelo” ao retirar despesas e renúncias do núcleo submetido às regras fiscais, o que compromete a transparência e a credibilidade das contas públicas.

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A petição, assinada pelos advogados Marcelo Luiz Ávila de Bessa e Thiago Lôbo Fleury, afirma que o Executivo consegue cumprir formalmente o arcabouço fiscal apenas por meio de exclusões “casuísticas” de despesas relevantes. O PL calcula que esses valores alcancem R$ 89,9 bilhões em 2024 e 2025, montante que, segundo o texto, deveria integrar o (Orçamento Geral da União) OGU.

Em um dos trechos centrais, a legenda faz a analogia direta com o episódio que levou ao afastamento de Dilma Rousseff do Planalto. “Assim como nas ‘pedaladas fiscais’, verifica-se, hoje, a institucionalização do orçamento paralelo”, diz a ação. Em outro ponto, o PL reforça que esse mecanismo “nada mais representa do que uma nova roupagem das ‘pedaladas fiscais’ de outrora”.

O documento também detalha os impactos das exclusões sobre os resultados fiscais divulgados pelo governo. Para 2024, o Executivo anunciou déficit de R$ 11 bilhões, mas, segundo o PL, o “orçamento paralelo” acrescentaria outros R$ 31 bilhões ao resultado negativo. Já para 2025, o déficit oficial projetado é de R$ 20 bilhões, enquanto despesas fora do cálculo somariam mais R$ 58,1 bilhões.

PL pede determinação de mudanças estruturais no governo Lula

Além das críticas ao método de apuração, a sigla pede medidas estruturais. O PL solicita que o STF reconheça a existência de um “estado de coisas inconstitucional” na gestão fiscal e determine a adoção de mecanismos permanentes de controle, como a instalação do Conselho de Gestão Fiscal, previsto em lei, mas nunca implementado.

Pessoa equilibra moedas em uma balança, em representação ao déficit fiscal no Brasil
Pessoa equilibra moedas em uma balança, em representação ao déficit fiscal no Brasil | Foto: Reprodução/Freepik

Para o partido, a ausência do órgão favorece decisões discricionárias e enfraquece a disciplina orçamentária.

A ação é apresentada em meio ao debate sobre a sustentabilidade do arcabouço fiscal e o uso recorrente de exceções para acomodar gastos. Na avaliação do PL, a repetição desse modelo recoloca no centro da agenda um tema que marcou a crise política e econômica da década passada e que agora volta a ser analisado pelo STF.

Leia também: “A bomba-relógio fiscal de Haddad“, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 308 da Revista Oeste

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