Protestos no Irã deixam mortos e se espalham por dezenas de cidades

Manifestações entram no sétimo dia com confrontos, uso de força pelas autoridades e críticas diretas ao regime em meio à crise econômica

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2026 09h38
Foto por HANDOUT / FARS NEWS AGENCY / AFP Lojistas e comerciantes protestam nas ruas de Teerã contra a situação econômica e a moeda iraniana em crise, em 29 de dezembro de 2025. Alguns lojistas em Teerã fecharam suas lojas em 29 de dezembro em protesto contra as dificuldades econômicas e as fortes oscilações da moeda iraniana em crise, informou a mídia iraniana, após manifestações semelhantes no dia anterior. A moeda iraniana atingiu novas mínimas no mercado paralelo, com o dólar americano cotado a cerca de 1,42 milhão de rials no domingo, em comparação com 820.000 rials um ano atrás, e o euro se aproximando de 1,7 milhão de rials, de acordo com sites de monitoramento de preços. Alguns lojistas em Teerã fecharam suas lojas em protesto contra as dificuldades econômicas e as fortes oscilações da moeda iraniana em crise

Vários manifestantes morreram no Irã no sétimo dia de protestos, que continuaram até o final da noite de sábado (3) em cerca de 12 cidades do país, em algumas das quais foram registrados confrontos com as forças de segurança.

As mobilizações, em seu sétimo dia consecutivo, ocorreram em cidades como Teerã, Shiraz, Mashad, Isfahan, Karaj e Malekshahi, entre outras, com palavras de ordem contra a República Islâmica.

As imagens divulgadas por ativistas em redes sociais mostram um forte destacamento de forças policiais e de segurança, bem como o uso de gás lacrimogêneo, disparos e detenções em diferentes cidades.

Em Malekshahi, no oeste do país, foram registrados fortes confrontos entre manifestantes e forças de choque que, segundo a agência de notícias “Fars”, causaram a morte de três pessoas.

A agência, vinculada à Guarda Revolucionária, descreveu o ocorrido como “distúrbios quase terroristas” na cidade de Malekshahi, e indicou que manifestantes armados enfrentaram os agentes.

De acordo com dados da ONG opositora iraniana Hrana, com sede nos Estados Unidos, cerca de 60 cidades de 25 províncias do Irã foram palco de protestos desde o último domingo, nos quais pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas um agente, e ao menos 582 foram detidas.

Os meios oficiais descreveram um ambiente de distúrbios no país, atribuídos a manifestantes armados ou a atores estrangeiros, a quem o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou ontem de abusar dos protestos econômicos dos comerciantes.

Os protestos começaram no domingo passado em Teerã, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores afetados pela deterioração da situação econômica, pelo colapso do rial e pela alta inflação.

No entanto, com o passar dos dias, as mobilizações adquiriram um marcado caráter político, com palavras de ordem diretas contra a liderança do país e o sistema da República Islâmica.

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O Irã atravessa uma profunda crise econômica, com uma inflação anual superior a 42% e uma inflação interanual que em dezembro superou os 52% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em um contexto marcado pelas severas sanções dos Estados Unidos e da ONU contra o país devido ao seu programa nuclear.

*Com EFE