Protestos no Irã deixam mortos e se espalham por dezenas de cidades
Manifestações entram no sétimo dia com confrontos, uso de força pelas autoridades e críticas diretas ao regime em meio à crise econômica
Vários manifestantes morreram no Irã no sétimo dia de protestos, que continuaram até o final da noite de sábado (3) em cerca de 12 cidades do país, em algumas das quais foram registrados confrontos com as forças de segurança.
As mobilizações, em seu sétimo dia consecutivo, ocorreram em cidades como Teerã, Shiraz, Mashad, Isfahan, Karaj e Malekshahi, entre outras, com palavras de ordem contra a República Islâmica.
As imagens divulgadas por ativistas em redes sociais mostram um forte destacamento de forças policiais e de segurança, bem como o uso de gás lacrimogêneo, disparos e detenções em diferentes cidades.
Em Malekshahi, no oeste do país, foram registrados fortes confrontos entre manifestantes e forças de choque que, segundo a agência de notícias “Fars”, causaram a morte de três pessoas.
A agência, vinculada à Guarda Revolucionária, descreveu o ocorrido como “distúrbios quase terroristas” na cidade de Malekshahi, e indicou que manifestantes armados enfrentaram os agentes.
De acordo com dados da ONG opositora iraniana Hrana, com sede nos Estados Unidos, cerca de 60 cidades de 25 províncias do Irã foram palco de protestos desde o último domingo, nos quais pelo menos 16 pessoas morreram, entre elas um agente, e ao menos 582 foram detidas.
Os meios oficiais descreveram um ambiente de distúrbios no país, atribuídos a manifestantes armados ou a atores estrangeiros, a quem o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou ontem de abusar dos protestos econômicos dos comerciantes.
Os protestos começaram no domingo passado em Teerã, impulsionados inicialmente por comerciantes e setores afetados pela deterioração da situação econômica, pelo colapso do rial e pela alta inflação.
No entanto, com o passar dos dias, as mobilizações adquiriram um marcado caráter político, com palavras de ordem diretas contra a liderança do país e o sistema da República Islâmica.
O Irã atravessa uma profunda crise econômica, com uma inflação anual superior a 42% e uma inflação interanual que em dezembro superou os 52% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em um contexto marcado pelas severas sanções dos Estados Unidos e da ONU contra o país devido ao seu programa nuclear.
*Com EFE

