Renúncia fiscal beneficiou empresa de Toffoli, aponta relatório
Resort Tayayá recebeu isenções federais de aproximadamente R$ 1 milhão antes da venda total das cotas da família do ministro do STF

O Tayayá Resort aparece na lista de empresas beneficiadas pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). A política foi criada para socorrer setores como o de turismo durante a pandemia. À época da concessão dos benefícios, parte do empreendimento ainda pertencia à Maridt Participações S.A., empresa da qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli é sócio.
Na lista de empresas contempladas, conforme consulta de Oeste, o resort, sob a razão social de Tayayá Administração e Participações Ltda. é citado em 12 ocasiões, no período de apuração entre abril de 2024 e março de 2025, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O total de desoneração fiscal vinculado ao resort supera R$ 1 milhão. O valor corresponde à soma de tributos federais que deixaram de ser recolhidos no âmbito do programa.
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Toffoli: lista relaciona benefícios
De acordo com os registros do Perse, disponíveis no site da Receita Federal, o Tayayá Resort obteve isenção, por exemplo, de R$ 213,5 mil em PIS/Pasep e de R$ 466,9 mil em Cofins. Esses dois tributos compunham o pacote de renúncias direcionado a empresas do setor de eventos e turismo. O balanço, no entanto, indica um valor consolidado de R$ 1 milhão.
O empreendimento fica no interior do Paraná e operava sob estrutura societária que incluía a Maridt. O próprio Toffoli confirmou, em nota divulgada nesta quarta-feira, 11, que integrava o quadro societário da empresa ao lado de familiares.
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A saída da Maridt do negócio ocorreu de forma gradual. Em setembro de 2021, a empresa iniciou a alienação de sua participação, vendendo parte das cotas a um fundo administrado pela Reag, gestora vinculada ao Banco Master. A negociação terminou em fevereiro de 2025, quando a totalidade remanescente foi transferida à PHB Holding.
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Instituído em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e no período mais crítico da crise sanitária, o Perse buscou aliviar os impactos econômicos sobre empresas afetadas pelas restrições de funcionamento. O mecanismo permitiu a suspensão temporária de tributos federais para atividades enquadradas nos critérios legais.

O programa foi oficialmente encerrado no primeiro semestre de 2025, depois de atingir o limite global de R$ 15 bilhões em renúncias fiscais. O Tayayá esteve entre os beneficiários enquanto ainda mantinha participação societária da empresa ligada à família do ministro.
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