A sustentabilidade, portanto, não é apenas uma vantagem competitiva – é uma necessidade urgente. (Foto: Jennifer Delmarre/Unsplash )

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A sustentabilidade deixou de ser apenas uma questão ambiental ou social: hoje, é central para o futuro das empresas e das cadeias de suprimentos. Nos últimos anos, crises globais – da pandemia à instabilidade geopolítica – evidenciaram a interdependência entre os aspectos ambiental, social e econômico, tornando urgente repensar modelos de operação historicamente lineares e muitas vezes insustentáveis.

Nesse contexto, conceitos como regeneração e impactos para o planeta ganham relevância. Não basta reduzir o dano ambiental – é preciso restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades e criar valor compartilhado, como defende a Fundação Ellen MacArthur. A ONU proclamou o período 2021–2030 como a Década da Restauração, e a agenda regenerativa foi um tema central na COP 30.

A sustentabilidade, portanto, não é apenas uma vantagem competitiva – é uma necessidade urgente. O compromisso das empresas com essa agenda torna possível transformar práticas empresariais em motores de regeneração ambiental e social

A economia circular surge como ferramenta estratégica nesse processo. Ela não limita o crescimento econômico, mas o alinha com benefícios ambientais. Modelos que integram reutilização, reparo e compartilhamento demonstram que rentabilidade e impacto positivo podem caminhar lado a lado.

De acordo com uma análise da McKinsey, medidas como logística colaborativa, digitalização de rotas e maior utilização de modais de baixo carbono podem reduzir emissões em até 30% nos próximos anos, ao mesmo tempo em que aumentam a eficiência operacional. Essa combinação torna a logística um campo estratégico para acelerar a descarbonização das cadeias de suprimentos.

Projetos de economia circular aplicados à logística – como a reutilização e reciclagem de paletes, caixas e contentores – mostram que é possível reduzir o desperdício e as emissões sem comprometer a eficiência das cadeias de suprimentos. Além disso, quando esses modelos circulares são combinados com o fornecimento responsável, eles também podem contribuir para resultados regenerativos mais amplos.

Na América Latina, por exemplo, diversas empresas adotaram paletes provenientes de florestas certificadas no Brasil, garantindo 100% de origem certificada e a conformidade com os padrões internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade. Essa abordagem não apenas apoia a circularidade na logística, mas também se alinha aos compromissos corporativos de não desmatamento, que abrangem cada vez mais diversas commodities, incluindo madeira.

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Quando combinadas com práticas florestais regenerativas – como o plantio de duas árvores para cada uma colhida – essas iniciativas vão além da mitigação, contribuindo para a restauração mensurável do ecossistema. Para a Brambles, essa abordagem permitiu o crescimento sustentável de 5,6 milhões de árvores no último ano do seu programa de 2025, incluindo mais de 2,6 milhões de árvores necessárias para a produção de paletes e mais de 3 milhões de árvores adicionais plantadas por meio de iniciativas florestais regenerativas, demonstrando como as escolhas operacionais em logística podem ampliar a regeneração ambiental.

Esses esforços, no entanto, não podem ser alcançados isoladamente. A aliança de silvicultura regenerativa no México é um exemplo relevante de colaboração intersetorial que reúne expertise não apenas na restauração de terras degradadas, mas também na viabilização da gestão sustentável de ecossistemas a longo prazo – por meio da criação de empregos, treinamento técnico e engajamento comunitário –, exemplificando como a regeneração pode ser incorporada às estratégias da cadeia de suprimentos para gerar valor multidimensional. Modelos semelhantes foram adotados em regiões como Zâmbia e África do Sul, reforçando o potencial da ação colaborativa para acelerar resultados positivos para a natureza em diferentes regiões geográficas.

A sustentabilidade, portanto, não é apenas uma vantagem competitiva – é uma necessidade urgente. O compromisso das empresas com essa agenda torna possível transformar práticas empresariais em motores de regeneração ambiental e social, construindo cadeias de suprimentos resilientes, circulares e capazes de gerar impacto positivo duradouro.

Carlos Álvarez é diretor de Estratégia, Marketing e Sustentabilidade da CHEP para a América Latina.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos