Senado da Argentina aprova redução da maioridade penal de 16 para 14 anos

Projeto de lei, que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, obteve 44 votos a favor, 27 contrários e uma abstenção no Senado

  • Por Jovem Pan*
  • 27/02/2026 21h38
LUIS ROBAYO / AFP maioridade penal Cartazes com os dizeres "Não à reforma trabalhista" podem ser vistos colados na cerca de segurança em frente ao prédio do Congresso Nacional, onde as reformas trabalhistas do presidente argentino Javier Milei estão sendo discutidas, em Buenos Aires

O Senado da Argentina aprovou, nesta sexta-feira (27), uma lei que reduz de 16 para 14 anos a idade de responsabilidade penal, uma iniciativa impulsionada pelo presidente Javier Milei que o governo comemorou como “um ato de justiça para com a sociedade”. “Quem tem capacidade de compreender a gravidade de seus atos assume, sem exceções, a responsabilidade de responder perante a lei. Crime de adulto, pena de adulto”, publicou a Presidência argentina no X minutos depois da votação.

O projeto de lei, que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, obteve 44 votos a favor, 27 contrários e uma abstenção no Senado. Ele modifica o sistema penal juvenil que data de 1980. A Argentina mantinha a idade de responsabilidade penal mais alta da América do Sul, onde, na maior parte dos países, ela é de 14 anos. No Brasil, a idade de responsabilidade penal começa aos 12 anos, enquanto a idade de imputabilidade penal, que é a maioridade penal propriamente dita, se dá aos 18.

Segundo os padrões internacionais, a idade mínima de responsabilidade penal é aquela em que um menor não pode ser considerado criminalmente responsável por seus atos e, portanto, não pode ir a julgamento.

“Viemos para pôr fim a uma doutrina terrivelmente perigosa, a doutrina de que o delinquente é uma vítima do sistema”, disse a senadora e ex-ministra da Segurança Patricia Bullrich, principal defensora do projeto. Parlamentares da oposição denunciaram que o governo acelerou a tramitação nas comissões, apesar de a maioria dos especialistas convocados ter se manifestado contra, e advertiram que os prazos para adequar as instalações de detenção e o orçamento previsto são insuficientes.

“Queremos um Estado que ofereça uma resposta integral, que inclua educação, ressocialização”, afirmou o senador peronista Martín Soria, da oposição, que votou contra a nova lei. “Do lado de lá, a única resposta é penal”, acrescentou. O debate parlamentar ocorre em um momento de grande sensibilidade social devido a crimes cometidos por adolescentes que tiveram grande repercussão na mídia.

A aprovação da nova lei se deu em um dia em que o Senado se prepara para ratificar a reforma trabalhista, também impulsionada por Milei.

*AFP