STF, Banco Master e o escândalo ético que o Brasil não pode normalizar
Não estamos diante de fofoca política; mas diante de um escândalo ético-institucional
Marisa Lobo - 09/02/2026 16h53

O Brasil assiste, atônito, a uma situação que em qualquer democracia minimamente séria causaria recuos imediatos, declarações públicas de impedimento e forte reação institucional. Aqui, no entanto, reina o silêncio.
Empresários ligados ao Banco Master estão sob intenso escrutínio público. E, ao mesmo tempo, surgem informações de proximidade direta com figuras centrais do poder, inclusive no topo do Judiciário. É nesse ponto que a ética entra em colapso.
A pergunta que não quer calar
É aceitável que a esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal atue como advogada de empresários ligados a um banco envolto em questionamentos?
Falamos diretamente do ministro Alexandre de Moraes. Ninguém discute o direito à advocacia.
O que se discute é o efeito institucional devastador.
Em cortes constitucionais sérias, a aparência de conflito já é suficiente para afastamento. Aqui, parece não ser suficiente nem para constrangimento público.
Não basta ser imparcial. É preciso parecer imparcial
Esse é um princípio elementar do Estado de Direito — não uma exigência “da direita”, “da esquerda” ou de opositores políticos.
E os amigos do poder?
Outro ponto que escandaliza a sociedade é a recorrente sensação de proximidade excessiva entre ministros do STF e interesses econômicos poderosos.
A pergunta legítima — e que precisa ser feita — é: ministros ou pessoas próximas a eles recebem recursos, favores, vantagens indiretas ou mantêm relações pessoais com empresários do banco?
Se a resposta for “não”, a transparência deveria ser imediata e pública. Se a resposta for “sim”, o problema é gravíssimo.
O ministro Dias Toffoli, citado repetidamente em debates públicos sobre relações entre poder político, econômico e judicial, simboliza esse mal-estar institucional: a sensação de que o STF deixou de ser distante do poder para se tornar parte dele.
O STF não pode ser clube fechado
O Supremo não é uma confraria. Não é um espaço blindado da crítica pública. Não é uma casta acima da ética comum.
Quando ministros: mantêm relações próximas com grupos econômicos poderosos; têm familiares atuando em causas sensíveis; não se declaram impedidos; não explicam, não esclarecem, não se afastam, o problema já existe, independentemente de condenação judicial.
A ética não exige prova criminal; exige vergonha institucional.
O risco real: a Justiça perder autoridade moral
Quando a sociedade começa a acreditar que: há proteção seletiva; há blindagem para os amigos do poder; há rigor para uns e indulgência para outros, o STF perde o que tem de mais valioso; a sua autoridade moral.
Sem autoridade moral, não há decisão que pacifique o país. Há apenas imposição.
Este texto não acusa crimes, mas denuncia um escândalo ético.
Se o STF deseja preservar sua legitimidade, precisa lembrar:
— a toga exige renúncia;
— o cargo exige sacrifício;
— a ética não é opcional.
O silêncio diante desse caso não protege a Corte. Afunda ainda mais sua credibilidade.
Como já apontou o sábio Salomão: “Quem justifica o ímpio e quem condena o justo, ambos são abominação ao Senhor” (Provérbios 17:15).
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Marisa Lobo atua como psicóloga e psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior. |
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