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STF, Banco Master e o escândalo ético que o Brasil não pode normalizar

09/02/2026 19:53 Pleno.News

STF, Banco Master e o escândalo ético que o Brasil não pode normalizar

Não estamos diante de fofoca política; mas diante de um escândalo ético-institucional

Marisa Lobo - 09/02/2026 16h53

Plenário do STF Foto: Fellipe Sampaio/STF

O Brasil assiste, atônito, a uma situação que em qualquer democracia minimamente séria causaria recuos imediatos, declarações públicas de impedimento e forte reação institucional. Aqui, no entanto, reina o silêncio.

Empresários ligados ao Banco Master estão sob intenso escrutínio público. E, ao mesmo tempo, surgem informações de proximidade direta com figuras centrais do poder, inclusive no topo do Judiciário. É nesse ponto que a ética entra em colapso.

A pergunta que não quer calar
É aceitável que a esposa de um ministro do Supremo Tribunal Federal atue como advogada de empresários ligados a um banco envolto em questionamentos?

Falamos diretamente do ministro Alexandre de Moraes. Ninguém discute o direito à advocacia.
O que se discute é o efeito institucional devastador.

Em cortes constitucionais sérias, a aparência de conflito já é suficiente para afastamento. Aqui, parece não ser suficiente nem para constrangimento público.

Não basta ser imparcial. É preciso parecer imparcial
Esse é um princípio elementar do Estado de Direito — não uma exigência “da direita”, “da esquerda” ou de opositores políticos.

E os amigos do poder?
Outro ponto que escandaliza a sociedade é a recorrente sensação de proximidade excessiva entre ministros do STF e interesses econômicos poderosos.

A pergunta legítima — e que precisa ser feita — é: ministros ou pessoas próximas a eles recebem recursos, favores, vantagens indiretas ou mantêm relações pessoais com empresários do banco?

Se a resposta for “não”, a transparência deveria ser imediata e pública. Se a resposta for “sim”, o problema é gravíssimo.

O ministro Dias Toffoli, citado repetidamente em debates públicos sobre relações entre poder político, econômico e judicial, simboliza esse mal-estar institucional: a sensação de que o STF deixou de ser distante do poder para se tornar parte dele.

O STF não pode ser clube fechado
O Supremo não é uma confraria. Não é um espaço blindado da crítica pública. Não é uma casta acima da ética comum.

Quando ministros: mantêm relações próximas com grupos econômicos poderosos; têm familiares atuando em causas sensíveis; não se declaram impedidos; não explicam, não esclarecem, não se afastam, o problema já existe, independentemente de condenação judicial.

A ética não exige prova criminal; exige vergonha institucional.

O risco real: a Justiça perder autoridade moral
Quando a sociedade começa a acreditar que: há proteção seletiva; há blindagem para os amigos do poder; há rigor para uns e indulgência para outros, o STF perde o que tem de mais valioso; a sua autoridade moral.

Sem autoridade moral, não há decisão que pacifique o país. Há apenas imposição.

Este texto não acusa crimes, mas denuncia um escândalo ético.

Se o STF deseja preservar sua legitimidade, precisa lembrar:
— a toga exige renúncia;
— o cargo exige sacrifício;
— a ética não é opcional.

O silêncio diante desse caso não protege a Corte. Afunda ainda mais sua credibilidade.

Como já apontou o sábio Salomão: “Quem justifica o ímpio e quem condena o justo, ambos são abominação ao Senhor” (Provérbios 17:15).

Marisa Lobo atua como psicóloga e psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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