TJ do Maranhão decreta prisão de 8 vereadores de Turilândia
Grupo já havia sido alvo da Operação Tântalo II, que revelou esquema milionário de corrupção supostamente comandado pelo prefeito Paulo Curió

O Tribunal de Justiça (TJ) do Maranhão determinou a prisão preventiva de oito vereadores da cidade de Turilândia por descumprimento de medidas cautelares. A Corte havia fixado as condições em dezembro de 2025, como o uso de tornozeleiras eletrônicas e a proibição de contatos com outros investigados.
A decisão atinge parlamentares que já figuravam entre os alvos da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Ministério Público (MP) estadual. Os investigadores atribuem ao grupo participação em um esquema de fraudes em licitações que desviou R$ 56 milhões da área da Saúde.
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O prefeito da cidade, Paulo Curió (União Brasil), seria o chefe do esquema e teria retido até 90% dos valores desviados, segundo os promotores.
O MP sustentou que os parlamentares romperam de forma reiterada as restrições impostas pela Justiça. Embora a comunicação entre vereadores tivesse sido autorizada apenas durante o expediente da Câmara, com assuntos exclusivamente parlamentares, os investigados mantiveram contato fora desse contexto.
Já o diálogo com outros alvos da operação, que não detêm mandato, estava completamente proibido — em qualquer horário ou local.
Sofreram detenção: Gilmar Carlos Gomes Araújo (União), Mizael Brito Soares (União), José Ribamar Sampaio (União), Nadianne Judith Vieira Reis (PRD), Sávio Araújo e Araújo (PRD), Josias Fróes (Solidariedade), Carla Regina Pereira Chagas (PRD) e Inailce Nogueira Lopes (União).
Governador nomeou interventor para assumir comando de Turilândia
De acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça, o esquema envolvia empresas que simulavam processos de licitação para vender notas fiscais frias à prefeitura. Os pagamentos com verba pública retornavam quase integralmente ao núcleo familiar de Curió.
A primeira etapa da operação resultou na prisão do prefeito, de todos os vereadores do município, de um secretário municipal e de empresários ligados ao esquema. No total, a ofensiva do MP atingiu a cúpula política da cidade.
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No dia 23 de janeiro, os desembargadores do TJ aprovaram por unanimidade o pedido de intervenção estadual em Turilândia. Pouco depois, o governador Carlos Brandão nomeou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor do município.
Durante a operação, os promotores encontraram aproximadamente R$ 5 milhões em espécie, armazenados nos endereços dos investigados. A 3ª Câmara Criminal do TJ autorizou as buscas.
No início de janeiro, os vereadores se apresentaram ao MP para prestar depoimento, mas todos permaneceram em silêncio. A audiência terminou sem declarações por parte dos investigados, que invocaram o direito de não se autoincriminar.
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