Veja como foi transferência de Vorcaro de SP até a Penitenciária de Brasília
O dono do Banco Master chegou à unidade prisional da capital federal na tarde desta sexta-feira (6)
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi encaminhado na tarde desta sexta-feira (6) à Penitenciária Federal de Brasília. Antes, ele havia passado por análise no Instituto Médico Legal (IML). O banqueiro estava preso preventivamente em Potim, no interior de São Paulo. A transferência se deu depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolher pedido da Polícia Federal (PF).
A corporação argumentou que a ida para a unidade prisional de Brasília era necessária em razão da integridade física do investigado. A PF também afirmou haver risco à segurança pública, caso Vorcaro continuasse no presídio paulista, devido à grande “articulação e influência” que o banqueiro possui sobre atores do poder público e do setor privado, com capacidade de interferir direta ou indiretamente na condução das investigações ou na execução das determinações judiciais.
Veja o momento da transferência de Vorcaro:
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Nos primeiros 20 dias, Vorcaro ficará isolado em uma cela de 9 m². O local possui cama, mesa, assento, prateleira e pia feitos de concreto. Também há privada e chuveiro (com funcionamento em horários determinados). Passado o período, o banqueiro será alocado em um alojamento com as mesmas características, mas ligeiramente menor, com 6 m².
Inaugurada em 2018, a Penitenciária Federal de Brasília é uma das cinco unidades de segurança máxima do Brasil. Com 208 celas, o local fica ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda e do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde está preso o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, também teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. O dono do Master foi detido novamente na quarta-feira (4).
Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.


