Política

Vieira pede afastamento de Toffoli do caso Master

Senador aciona a PGR para pedir ao STF a suspeição do ministro na relatoria do inquérito que investiga as fraudes bilionárias no banco

Vieira Master
Alessandro Vieira diz que CPI do Crime Organizado vai focar no caso Banco Master no início de 2026 I Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta quinta-feira, 12, uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão apresente ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido formal de afastamento do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito que investiga fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.

+ Novo protocola impeachment de Toffoli pelo caso do Banco Master

Receba nossas atualizações

O ministro do STF Dias Toffoli: argumentos em meio ao avanço das investigações | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O partido Novo protocolou um pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do STF | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

No documento encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o parlamentar requer que o órgão “formalize a arguição de suspeição do Ministro Dias Toffoli no inquérito que apura fraudes bilionárias no Banco Master”. 

+ Senador pede quebra de sigilo de empresa ligada a irmãos de Toffoli

Vieira sustentou na representação que os fatos reportados pela Polícia Federal (PF) e divulgados pela imprensa indicariam “uma relação de suposta proximidade e potenciais interesses financeiros entre o magistrado relator e o principal investigado da Operação Compliance Zero”.

Relatório da PF e mensagens

A petição destacou que, em 11 de fevereiro de 2026, a PF enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório sigiloso com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. 

Leia também: “Uma incógnita em meio ao caso Master”, reportagem de Cristyan Costa e Sarah Peres publicada na Edição 308 da Revista Oeste

Segundo o senador, reportagens indicaram que as mensagens conteriam referências a pagamentos direcionados à empresa Maridt Participações S.A., ligada a irmãos do ministro.

+ Tayayá Resort: PF e PGR apuram empresa ligada a familiares de Toffoli

“A existência de um vínculo comercial em que o julgador figuraria, em tese, como beneficiário de recursos pagos pelo investigado mitigaria de forma intensa a imparcialidade do Ministro Dias Toffoli”, analisou Vieira.

O parlamentar acrescentou que “a justiça não deve apenas ser imparcial, mas deve parecer imparcial perante a sociedade”. Para Vieira, manter Toffoli à frente do caso, diante de indícios progressivamente relatados, “ofenderia, de uma só vez, o princípio do devido processo legal e a própria moralidade administrativa”.

Fundamentos para afastar Toffoli

A representação invocou dispositivos do Regimento Interno do STF, que permitem a arguição de suspeição quando não declarada voluntariamente pelo magistrado. Também mencionou o artigo 145 do Código de Processo Civil, que trata de hipóteses de suspeição por interesse econômico.

O documento apontou que a empresa Maridt Participações S.A., formalmente controlada por irmãos de Toffoli e da qual ele teria integrado o quadro societário, recebeu recursos provenientes de operação envolvendo o Tayayá Resort e fundo ligado a Vorcaro.

O senador mencionou o possível enquadramento por amizade íntima, com base na análise das mensagens, que poderiam revelar proximidade incompatível com a imparcialidade exigida do julgador.

Vieira também argumentou que a condução do inquérito apresentou medidas consideradas “absolutamente heterodoxas”, como o lacre e o acautelamento de provas eletrônicas sob controle direto do Supremo. O texto menciona ainda a imposição de prazos restritivos à PF e questionamentos sobre a autonomia pericial da corporação 

Representação na PGR 

Conforme salientou o senador à PGR, esse conjunto de decisões poderia indicar “um potencial esforço para monitorar e possivelmente filtrar o avanço das investigações” 

Vieira Moraes
Senador Alessandro Vieira quer abrir CPI sobre o Master I Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Vieira pediu para que o procurador-geral da República apresente ao STF a arguição de suspeição com o consequente afastamento imediato de Toffoli da relatoria do inquérito. 

Por fim, ele pediu a abertura de investigação específica para apurar pagamentos à Maridt Participações S.A. e eventual enquadramento por crimes como corrupção passiva, prevaricação e obstrução de Justiça 

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.