Vorcaro em “dose dupla” no Congresso
Controlador do Banco Master será ouvido tanto na CPMI do INSS quanto na CAE do Senado
Magno Malta - 19/02/2026 15h42

A próxima semana, nos dias 23 e 24, coloca o Congresso Nacional diante de um momento ímpar. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, será ouvido tanto na CPMI do INSS quanto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Não se trata de mais uma oitiva protocolar, mas de um episódio que atravessa temas sensíveis, como vulnerabilidade social, sistema financeiro e possíveis conexões em altos níveis de poder.
De um lado, está o escândalo envolvendo contratos de crédito consignado ligados a aposentados e pensionistas do INSS, justamente um público que deveria ser o mais protegido pelo Estado. Quando surgem indícios de descontos indevidos, falhas no consentimento ou irregularidades contratuais, a questão deixa de ser meramente técnica e assume dimensão moral (roubo). A confiança no sistema financeiro depende, sobretudo, da segurança oferecida àqueles que menos podem arcar com erros ou abusos.
De outro lado, a liquidação do banco e as reportagens sobre contratos e interlocuções que alcançam o entorno de autoridades, como os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ampliam o debate para além do mercado financeiro.
Em democracias maduras, as relações entre poder econômico e poder institucional precisam ser transparentes, rastreáveis e sujeitas a escrutínio público. Não basta que sejam legais; é indispensável que pareçam legítimas.
Diante do exposto, o comparecimento de Vorcaro ao Congresso representa um teste duplo: para ele e para o próprio Parlamento. Para o empresário, é a oportunidade de esclarecer fatos, apresentar documentos e dissipar dúvidas. Para senadores e deputados, é a chance de demonstrar que a fiscalização não é seletiva nem meramente performática.
Até porque, o Brasil atravessa um momento de desconfiança generalizada nas instituições. Se a CPMI e a CAE conduzirem as oitivas com rigor técnico, foco em evidências e responsabilidade pública, essas reuniões poderão contribuir nas investigações. Caso contrário, será apenas mais um capítulo de ruído político.
O país precisa de menos espetáculos e de mais respostas.
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Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil. |
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