Defesa de Vorcaro critica divulgação de fotos do banqueiro na prisão: ‘tamanha arbitrariedade’

Eles também afirmaram que farão o pedido de inquérito para apurar a difusão de ‘informações sigilosas’

  • Por Janaína Camelo e Júlia Lara
  • 06/03/2026 22h19
Divulgação vorcaro preso (1) Imagens mostram Daniel Vorcaro depois de ser preso na Operação Compliance Zero

A defesa de Daniel Vorcaro se manifestou “surpresa e indignada” com a divulgação das fotos do banqueiro na unidade prisional. Os advogados disseram “não haver limites para o vazamento de informações com o objetivo de expor, desgastar e humilhar seu cliente”, divulgaram em nota nesta sexta-feira (6) após o compartilhamento das imagens de Vorcaro na prisão.

Eles também afirmaram que farão o pedido de instauração de um inquérito para apurar a difusão de “informações sigilosas” na esperança de que os responsáveis por “tamanha arbitrariedade” sejam responsabilizados.

Por fim, a defesa escreveu que continua a acreditar no Estado democrático de direito e no “respeito à mínima integridade” dos que estão detidos.

Imagens divulgadas

As imagens às quais a Jovem Pan teve acesso mostram a foto do empresário após ser detido em São Paulo, onde ficou em Guarulhos e depois em Potim, no interior de São Paulo, antes de ser encaminhado para Brasília. Nos registros, ele aparece com o cabelo cortado, procedimento padrão aplicado a todos os detentos, além da pessoal e de pertences, higienização obrigatória, registro fotográfico e coleta de impressões digitais.

A transferência de Vorcaro foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso. Em sua decisão, que atendeu ao pedido da Polícia Federal, a transferência é tratada como “integridade física do investigado”, já que a lei assegura a decisão. “Serão incluídos em estabelecimentos penais federais de segurança máxima aqueles para quem a medida se justifique no interesse da segurança pública ou do próprio preso, condenado ou provisório”, argumentou.

Além disso, a PF afirma haver risco à segurança pública caso Vorcaro continue no presídio no interior de São Paulo. A corporação diz que ele possui grande “articulação e influência” sobre atores do poder público e do setor privado, com capacidade de interferir direta ou indiretamente na condução das investigações ou na execução das determinações judiciais.