O governador de Minnesota, Tim Walz: denúncia de fraude em massa na comunidade somali.
O governador de Minnesota, Tim Walz: denúncia de fraude em massa na comunidade somali. (Foto: EFE/Lenin Nolly)

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O escândalo de fraude somali em Minnesota parece piorar a cada dia, enquanto a grande mídia tradicional ignora em grande parte o tema e os democratas minimizam a questão. No centro dessa controvérsia está uma crise maior que afeta o Ocidente.

Na sexta-feira passada, o jornalista independente Nick Shirley publicou um documentário de 42 minutos no YouTube, detalhando suas investigações sobre o que realmente ocorre em Minnesota e como um esquema envolvendo principalmente fraudadores somalis desviou bilhões de dólares dos contribuintes, sob o nariz do governador Tim Walz e das autoridades estaduais.

O vice-presidente JD Vance elogiou o vídeo na rede X, afirmando que Shirley fez um jornalismo mais importante do que todos os vencedores recentes do Prêmio Pulitzer juntos.

O vídeo vale a pena ser assistido. Entre as principais revelações está uma série de supostos centros de cuidados infantis e outras instalações financiadas pelo estado que não têm crianças frequentando-as.

Em uma das cenas mais impressionantes, Shirley chega a um local chamado “Quality Learing Center” – sim, “Learing”, com erro de ortografia evidente ( Nota do Tradutor: o correto seria "Learning"). O centro estava licenciado para atender 99 crianças, mas não havia nenhuma no local. Na frente do prédio, uma mulher gritava repetidamente: “Não abra, é o ICE”. Shirley explicou que era apenas um jornalista, mas ela o ignorou e continuou gritando.

Incrível.

Isso é apenas o mais recente capítulo do que sem dúvida é um dos maiores escândalos da história americana.

Segundo algumas estimativas, fraudadores somalis teriam desviado mais dinheiro dos contribuintes nos últimos anos do que todo o Produto Interno Bruto da Somália.

De acordo com o New York Post, o dinheiro roubado representa cerca de metade dos US$ 18 bilhões em fundos federais destinados a serviços gerenciados por Minnesota desde 2018.

Não faz muito tempo, Walz se gabava, durante o debate vice-presidencial contra Vance, de como estava destinando mais recursos a esses programas de cuidados infantis.

Walz e a maioria dos democratas parecem, no máximo, ligeiramente incomodados por terem de falar sobre o caso e tentam apresentar a questão como “bipartidária”, algo que precisa apenas ser gerenciado.

Mas não foram os republicanos que governam Minnesota, nem eles que criaram esses enormes programas de assistência social. E, embora haja republicanos que defendam uma imigração sem limites – o que facilitou o escândalo de fraude somali –, eles são bem menos influentes na era do presidente Donald Trump.

Não, esse é um problema criado pela esquerda, que os democratas parecem relutantes em enfrentar com urgência real.

Vamos dar um passo atrás e voltar à raiz do problema com esses fraudadores somalis. Não se trata apenas de um sistema de imigração falho com incentivos perversos, embora isso certamente exista.

O que os fraudadores somalis fizeram foi motivado por ganância e desonestidade, uma reprodução dos esquemas que permitem enriquecer em seu país de origem. É imoral, mas compreensível em um nível básico. É o tipo de corrupção que destrói países no mundo todo, mas não é algo extraordinário.

Agora, imagine que você é um democrata clássico do New Deal, que acredita firmemente no poder do governo e em um robusto Estado de bem-estar social. Você deveria ser o mais indignado com o que aconteceu, certo? Afinal, esses programas bem-intencionados viraram instrumento para que modernos “visigodos” saqueassem a capital e transformassem o sistema em uma completa zombaria.

Mas a indignação não surgiu à esquerda. Pelo contrário, eles parecem irritados só por terem de falar sobre o caso da fraude somali. Alguns veículos da mídia tradicional cobriram o tema, incluindo a CBS News sob nova direção, mas mal parecem querer transformar isso em parte da “conversa nacional”. Por quê?

Quando o colunista da Fox News David Marcus foi a Minnesota para verificar o sentimento local sobre o escândalo, ele captou o cerne da questão. Encontrou principalmente apatia e indiferença entre eleitores liberais da região.

“É difícil se importar muito quando o ICE está fazendo somalis desaparecerem nas ruas”, disse “Anne”, uma mulher branca de cerca de 35 anos que trabalha com tecnologia, segundo Marcus. Outras pessoas entrevistadas expressaram sentimentos semelhantes.

“Assim como os moradores elegantes de Portland passam por viciados mortos a caminho do brunch, os cidadãos de Minnesota não sentem o impacto da fraude ligada à comunidade”, escreveu Marcus.

Imagino que essa atitude apática seja comum entre a base mais engajada do Partido Democrata.

O liberalismo do New Deal morreu. Em seu lugar surgiu uma ideologia distorcida, uma nova religião. Muitos programas em estados democratas foram transformados em empreendimentos quase religiosos, alimentando o que parece ser um desvio de recursos praticamente ilimitado, cuja profundidade só agora começamos a compreender.

O governo não existe mais para dar uma mão a todos os americanos. Ele serve para implementar uma forma identitária de justiça social, distribuindo prêmios e punições com base em uma hierarquia mística de opressão, compreendida apenas nos santuários internos das torres de marfim financiadas pelo governo federal.

Que o dinheiro tenha sido desviado de forma ilegal não é tão grave, segundo essa visão. Foi apenas o produto de um dízimo secular obrigatório para acalmar a consciência liberal moderna, não menos nobre por sua aplicação suja. O que os grupos oprimidos fazem com o dinheiro justamente recebido não é o maior problema, afinal.

Todo esse esquema vai desabar em algum momento. Mas, por enquanto, pode ser ignorado com segurança.

O problema real, nessa lógica, é que americanos “intolerantes” notaram o escândalo e podem não estar tão dispostos a receber novas ondas de somalis – que seriam as verdadeiras vítimas aqui.

No pior dos casos, é uma vergonha temporária, uma história que precisa sumir para manter a narrativa de que todos os imigrantes trazidos para a América são muito melhores que os atuais ocupantes indignos de nossa terra “roubada”. Esses povos oprimidos e infelizes precisam ser protegidos dos “valentões” da direita por qualquer meio necessário, mesmo que isso faça os grandes programas governamentais que eles criaram quebrarem.

É essa mentalidade generalizada, exibida pela mulher na frente do centro “Learing”, gritando que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) é o verdadeiro problema existencial que enfrentamos agora.

Esse impulso tóxico, suicida para a civilização – uma “empatia” equivocada e autodestrutiva misturada com autodepreciação – está nos custando muito mais do que os bilhões já saqueados dos cofres estaduais. No fim, pode nos custar tudo.

©2025 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Minnesota Fraud Scandal Exposes the Real Crisis Facing the West