Justiça do Rio manda apreender adolescente suspeito de estupro coletivo

Após novas denúncias, o Ministério Público decidiu reverter a aplicação de medida socioeducativa contra o jovem

  • Por Júlia Mano
  • 05/03/2026 18h39 - Atualizado em 05/03/2026 18h45
Divulgação/TJRJ/Agência Brasil tjrj A Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reverteu a aplicação de medida socioeducativa

A Vara de Infância e Juventude da Capital do Rio de Janeiro expediu nesta quinta-feira (5) mandado de busca e apreensão do adolescente envolvido no caso de estupro coletivo contra uma jovem em um apartamento em Copacabana. Depois que a polícia apresentou “novos elementos” sobre outro episódio de violência sexual com dinâmica semelhante, a Justiça decidiu reverter a representação inicial de aplicação de medida socioeducativa contra o suspeito.

“A medida foi considerada necessária para garantir a ordem pública, diante da possível reiteração infracional e também para assegurar a segurança pessoal do próprio adolescente, em razão da ampla repercussão social do caso”, comunicou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Na terça-feira (3), a Polícia Civil do Rio de Janeiro recebeu denúncias de duas adolescentes que declaram ter sido violentadas pelos mesmos suspeitos. De acordo com o delegado Ângelo Lages, da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, os casos ocorreram em outubro de 2023 e em outubro de 2025 e estão sob investigação.

Lages informou que a vítima de 2023 tinha 14 anos à época. Ela tinha um relacionamento com o mesmo adolescente envolvido no caso de Copacabana e foi atraída por ele para um apartamento no bairro do Maracanã. No imóvel, estavam Mattheus Veríssimo Zoel Martins e outro rapaz chamado Gabriel.

“Um relato exatamente igual ao da vítima atual”, declarou o delegado que está à frente das investigações.

A vítima de 2025, segundo Larges, relatou ter sido estuprada durante uma festa estudantil. Ela é aluna do Colégio Pedro II, onde os suspeitos estudam. A jovem disse que foi violentada por Vitor Hugo Oliveira Simonim, filho do ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa José Carlos Costa Simonim, que foi exonerado após o episódio de Copacabana ser noticiado.

Estupro coletivo em Copacabana

Segundo as investigações, uma adolescente de 17 anos foi atraída por um colega da escola (também menor de idade) a um apartamento em Copacabana em 31 de janeiro deste ano. Ao chegar ao local, a jovem percebeu a presença de quatro homens. Ela se recusou a se envolver com eles, mas foi trancada em um quarto.

Nesse local, de acordo com as autoridades, os suspeitos forçaram a adolescente a ter relações sexuais e a submeteram a graves violências física e psicológica. A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou e indiciou cinco pessoas:

  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos;
  • João Gabriel Xavier Berthô, 19 anos;
  • Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos;
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos;
  • Um adolescente cuja identidade não foi divulgada.

A Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra os envolvidos. No sábado (28), a polícia tentou cumprir a ordem judicial, mas não localizou os suspeitos. João Gabriel e Matteus se entregaram na terça-feira (3), enquanto Bruno e Vitor se apresentaram à DP na quarta-feira (4).

A vítima, o adolescente envolvido e Vitor Hugo Oliveira Simonin são estudantes do Colégio Pedro II. Em nota, a instituição de ensino informou que abriu processo administrativo para expulsar os alunos indiciados e acolheu a jovem e sua família.