
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que o ministro Alexandre de Moraes manteve diálogos informais com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia da prisão do empresário, em novembro de 2025. O contato coloca o STF sob pressão no maior escândalo financeiro recente do Brasil.
Quais informações foram descobertas pela Polícia Federal?
A PF extraiu do celular do banqueiro Daniel Vorcaro trocas de mensagens com o ministro Alexandre de Moraes. Elas mostram que Vorcaro relatava detalhes sobre a venda do Banco Master e questionava sobre um inquérito sigiloso que corria contra ele. As investigações sugerem que o banqueiro tentava obter informações privilegiadas ou ajuda para evitar sua prisão, ocorrida durante a operação Compliance Zero, por suspeitas de fraudes bilionárias.
Como funcionava a comunicação entre o banqueiro e o ministro?
Os diálogos ocorriam por aplicativos de mensagens. Segundo os investigadores, Moraes utilizava um recurso de visualização única, que apaga o texto logo após a leitura, o que dificultou a recuperação total do conteúdo. Já as mensagens de Vorcaro foram preservadas. Em uma delas, o banqueiro pergunta se havia novidade ou algo a 'bloquear'. Moraes negou os contatos, classificando as informações como mentiras destinadas a atacar o Supremo Tribunal Federal.
Qual é a relação da esposa do ministro com o Banco Master?
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, possui um contrato de R$ 129 milhões para defender os interesses do Banco Master. Embora Daniel Vorcaro alegasse que o escritório prestava serviços de compliance (regras para garantir a ética e legalidade da empresa), especialistas apontam que o contato direto entre um juiz e um cliente de familiares é problemático, pois magistrados devem se comunicar apenas pelos autos do processo e via advogados.
Houve contato com outras autoridades sobre o banco?
Sim. Além das mensagens com Moraes, as investigações revelaram que o ministro teria tido contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em dezembro. O objetivo seria discutir a situação financeira do Master para evitar a liquidação da instituição. A assessoria do ministro nega pressões e afirma que os encontros trataram apenas de sanções internacionais impostas contra ele e sua esposa pela Lei Magnitsky.
Quais podem ser as consequências deste caso para o STF?
O envolvimento de ministros em um escândalo que já soma prejuízos de R$ 51 bilhões gera uma crise institucional. Juristas alertam que o tribunal pode ficar travado se vários magistrados tiverem que se declarar impedidos de julgar o caso por relações de proximidade com o banqueiro. O episódio também gera desgaste na imagem pública da Corte, criando divisões tanto na sociedade civil quanto no meio jurídico brasileiro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.



