
Ouça este conteúdo
A presença feminina na liderança das instituições jurídicas ainda não acompanha o crescimento da participação das mulheres na profissão.
Embora elas já representem a maioria da Advocacia brasileira, continuam sub-representadas nos cargos de maior poder decisório. Nesse cenário, a eleição de Paula Lima Hyppolito Oliveira para a presidência da AASP – Associação dos Advogados marca um momento relevante para o avanço da representatividade feminina no Direito.

Com 83 anos de história, a AASP é considerada a maior associação da Advocacia da América Latina e reúne milhares de profissionais em todo o país. A nova gestão, que terá início em 2026, reforça o compromisso institucional da entidade com diversidade, inovação e fortalecimento da classe. Segundo Paula Lima Hyppolito Oliveira, a valorização da pluralidade e da representatividade continuará sendo um dos pilares estratégicos da instituição.
“Nosso compromisso é ampliar a inovação e, ao mesmo tempo, garantir que a AASP continue sendo um espaço plural e representativo para toda a Advocacia. Porque representatividade não se esgota na maioria numérica. Ela exige participação efetiva nos espaços de decisão, presença nas lideranças institucionais, protagonismo na produção intelectual e influência na formulação de novas políticas e iniciativas de impacto."
Paula Lima Hyppolito Oliveira - presidência da AASP – Associação dos Advogados
A eleição também consolida um marco simbólico: Paula torna-se a terceira mulher a presidir a associação e a primeira a suceder outra mulher no cargo. O fato evidencia uma mudança gradual na governança de entidades jurídicas tradicionais, historicamente lideradas por homens, e reforça a importância de ampliar espaços de liderança para mulheres no sistema de Justiça.
Liderança feminina na Advocacia ainda enfrenta barreiras no Brasil
Dados recentes demonstram que o avanço da representatividade feminina ainda ocorre de forma desigual nas posições de liderança. Estudos da consultoria McKinsey & Company indicam que as mulheres ocupam cerca de 28% dos cargos de alta liderança nas organizações ao redor do mundo. No Brasil, levantamento da Talenses Group mostra que apenas 17,4% das empresas são presididas por mulheres.
No campo jurídico, o contraste também chama atenção. Informações da Ordem dos Advogados do Brasil indicam que as mulheres representam cerca de 50,8% da Advocacia brasileira. Apesar disso, a presença feminina em cargos de presidência e direção institucional ainda é minoritária. No atual triênio da Ordem, apenas seis mulheres presidem seccionais estaduais, o que corresponde a cerca de 22% das lideranças.
Esse descompasso evidencia que a igualdade numérica na profissão não se traduz automaticamente em igualdade de liderança, reforçando a importância de iniciativas institucionais que incentivem a diversidade nos espaços de decisão.
Trajetória profissional combina atuação jurídica e gestão estratégica
Além de sua atuação institucional, Paula Lima Hyppolito Oliveira possui uma carreira consolidada na advocacia. Sócia do escritório Caputo, Bastos e Serra Advogados, ela lidera a área de Direito Penal Empresarial, com mais de duas décadas de experiência em litígios complexos, investigações corporativas, compliance e defesa em casos de crimes econômicos.
Sua trajetória inclui participação em investigações de grande repercussão envolvendo crimes contra o sistema financeiro, mercado de capitais, administração pública e lavagem de dinheiro. A advogada também possui experiência relevante em negociações com autoridades públicas e na condução de acordos de não persecução penal (ANPP) e colaborações premiadas.
Ao longo da carreira, também atuou na estruturação de programas de integridade corporativa, investigações internas e defesa de executivos e empresas em processos estratégicos, incluindo atuação perante tribunais superiores.
Diversidade e inclusão fazem parte da agenda institucional da AASP
A eleição de Paula Lima Hyppolito Oliveira ocorre em um momento em que a AASP vem ampliando políticas institucionais voltadas à diversidade e inclusão. Desde 2023, a diretoria da associação passou a contar com maioria feminina, com mulheres ocupando posições estratégicas na gestão.
O Estatuto da entidade também foi atualizado para ampliar a representatividade. Entre as mudanças está a obrigatoriedade da presença de advogadas e advogados negros nas chapas que disputam a renovação parcial do Conselho Diretor nos próximos anos, além da previsão de participação feminina entre os candidatos.
Outra medida importante foi a atualização da ficha cadastral da associação para contemplar diferentes identidades de gênero e reconhecer oficialmente o nome social das pessoas associadas, reforçando a política de acolhimento e respeito à diversidade.
Inovação e tecnologia também marcam a evolução da associação
Ao longo dos últimos anos, a AASP também tem investido na modernização de seus serviços e no uso de tecnologia para apoiar o trabalho da Advocacia. Entre as iniciativas está a integração de recursos de inteligência artificial aos sistemas de intimações da entidade.
A ferramenta já realizou mais de 49 milhões de recomendações de jurisprudência e doutrina para pessoas associadas, ampliando o acesso a informações jurídicas relevantes e contribuindo para a eficiência da prática profissional.
A atuação de Paula Lima Hyppolito Oliveira na gestão da associação inclui participação em áreas estratégicas como Produtos, Serviços, Tecnologia e Financeiro, além da vice-presidência da entidade, experiência que contribuiu para projetos de modernização e expansão nacional da instituição.
Representatividade amplia oportunidades para novas gerações
Para especialistas em governança e diversidade, a presença de mulheres em cargos de liderança institucional tem impacto direto na transformação das organizações. Quando essas posições passam a refletir a diversidade existente na base da profissão, ampliam-se as referências e as oportunidades para novas gerações.
No caso da Advocacia, essa mudança tem potencial para fortalecer a legitimidade das instituições e estimular um ambiente mais plural e inovador. Em um setor historicamente marcado por estruturas hierárquicas tradicionais, lideranças representativas ajudam a impulsionar novas formas de gestão e de construção institucional.
Nesse contexto, a eleição de Paula Lima Hyppolito Oliveira simboliza não apenas uma conquista individual, mas também um passo relevante na consolidação de uma Advocacia mais diversa, inclusiva e alinhada às transformações contemporâneas do sistema jurídico.




