Pablo Marçal se filia ao União Brasil apesar de inelegibilidade
O partido vê no empresário potencial para atrair eleitores e atuar como puxador de votos

O empresário e influenciador Pablo Marçal formaliza sua filiação ao União Brasil nesta sexta-feira, 6, mesmo estando inelegível por decisões judiciais. Depois de disputar a prefeitura de São Paulo pelo PRTB em 2024, Marçal soma três condenações à inelegibilidade, das quais reverteu apenas uma, e segue recorrendo das demais.
Apesar das derrotas no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Marçal mantém a expectativa de garantir sua candidatura em 2026, apostando em recursos para postergar a execução das condenações até análise final pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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O União Brasil vê no empresário um potencial para atrair votos expressivos e, por isso, promove um evento de filiação às 18h, na Vila Olímpia, em São Paulo.
A legenda pretende lançá-lo como candidato a deputado federal, cargo para o qual Marçal já tentou se eleger em 2022, quando, pelo extinto PROS, obteve votação suficiente, mas a Justiça Eleitoral indeferiu a candidatura.
Condenações judiciais
Uma das condenações ocorreu em fevereiro de 2025, quando o PSB e a coligação de Guilherme Boulos (Psol-SP) denunciaram Marçal por oferecer apoio a candidatos a vereador que doassem R$ 5 mil para sua campanha.
Durante o processo, o empresário alegou falhas na condução do caso e disse que as cinco doações recebidas depois do vídeo “foram prontamente devolvidas aos remetentes”.
O juiz Antonio Patiño Zorz considerou que a conduta de Marçal violou a legitimidade das eleições, independentemente do valor arrecadado.
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Na segunda instância, o desembargador Claudio Langroiva Pereira avaliou que faltaram provas sobre o impacto real da proposta na eleição, o que levou à reversão da condenação.
As partes autoras recorreram da decisão e pediram ao TRE-SP que enviasse o caso ao TSE, mas, até o momento, o tribunal ainda não o encaminhou à instância superior.
Outras condenações
Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral voltou a condenar Marçal, desta vez por criar o chamado “concurso de cortes”, que oferecia dinheiro a seguidores que produzissem vídeos em apoio à sua candidatura.
PSB, Ministério Público Eleitoral e a vereadora Silvia Ferraro (PSOL-SP) apresentaram a ação contra Marçal.
Segundo o juiz Antonio Patiño Zorz, a iniciativa permitiu a Marçal criar uma impressão artificial de apoio popular, motivada por prêmios financeiros.
O magistrado classificou a prática como “compra de apoio político” e entendeu que houve descumprimento de liminar ao manter um servidor no Discord ativo por 42 dias, aplicando multa de R$ 10 mil por dia, totalizando R$ 420 mil.
Marçal recorreu e conseguiu afastar duas das quatro imputações, porém a Justiça manteve a inelegibilidade e a multa.
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A decisão da segunda instância enquadrou o empresário na Lei da Ficha Limpa, tornando-o inelegível por oito anos.
A defesa apresentou embargos ao TRE-SP e, caso o tribunal mantenha a decisão, ainda poderá recorrer ao TSE.
Já em julho de 2025, a Justiça Eleitoral condenou Marçal pela terceira vez depois que o PSB o acusou de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação por sortear bonés e dinheiro em troca de divulgação, além de fazer acusações contra Guilherme Boulos.
O recurso da defesa ainda aguarda análise da segunda instância do TRE-SP.
Acusação contra Boulos
Dois dias antes das eleições de 2024, Marçal divulgou um laudo médico falso envolvendo Boulos em uma suposta overdose de cocaína, usando assinatura de um médico já falecido.
Em fevereiro deste ano, Marçal firmou acordo com a Procuradoria, comprometendo-se a pagar R$ 5 mil a uma instituição filantrópica e a não frequentar bares, boates ou casas de prostituição durante dois anos.
Além desses processos, a Justiça condenou Marçal, em novembro de 2025, por difamação eleitoral contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), depois que ele afirmou que a parlamentar teria “abandonado” o pai para estudar no exterior.
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