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Pirâmide do 'Sicário' prometia retorno de mais de 900% e lavava dinheiro com imóveis no caso Master

O mecanismo identificado pelos investigadores envolvia simulações de compra de propriedades rurais em Minas Gerais, seguidas de empréstimos junto ao Banco Máxima

daniel vorcaro - banco master
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como 'Sicário' | Foto: Divulgação/Polícia Militar de MG

Uma investigação do Ministério Público de Minas Gerais revelou um suposto esquema de pirâmide financeira que prometia retornos anuais superiores a 987% e utilizava operações imobiliárias para ocultar a origem dos recursos. O acusado, conhecido como “Sicário”, foi apontado como um dos operadores de Daniel Vorcaro e teve denúncia aceita pela Justiça em dezembro de 2021, respondendo por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.

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O mecanismo identificado pelos investigadores envolvia simulações de compra de propriedades rurais em Minas Gerais, seguidas de empréstimos junto ao Banco Máxima (antigo Banco Master). Os imóveis, usados como garantia, eram supervalorizados em mais de 3 mil por cento para viabilizar vultosos financiamentos. Em um caso citado, a Diedro Empreendimentos adquiriu um imóvel por R$ 465 mil, mas emitiu uma cédula de crédito bancário de R$ 31,2 milhões, atribuindo valor de R$ 16,7 milhões à mesma propriedade, o que representou uma supervalorização de 3,3% mil.

Os documentos analisados mostram que a Diedro Participações teve como sócia a Giom Participações, empresa de Natália Vorcaro, irmã do banqueiro investigado. A estratégia do grupo era semelhante à verificada em fraudes financeiras comandadas por Daniel Vorcaro no chamado caso Master, em que ativos eram inflados ou títulos de baixa qualidade eram usados como garantia para obtenção de recursos bilionários.

Estrutura piramidal no caso Master e captação de clientes

A apuração do MP teve início depois de uma denúncia da Comissão de Valores Mobiliários sobre a Alcateia Investimentos, empresa que prometia ganhos extremamente elevados e adotava uma estrutura piramidal. A clientela era incentivada a recrutar novos participantes, classificados como “lobo alfa” e “lobo pai”, para ampliar sua rede, chamada de “matilha”. Posteriormente, a carteira de clientes foi transferida para a Maximus Digital, empresa ligada a Mourão e seus familiares.

Em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi apontado que Mourão movimentou R$ 24,9 milhões em um período de três anos. De acordo com a promotora Janaina de Andrade Dauro, “a organização criminosa trouxe prejuízo milionário à economia da população brasileira”, afirmou ela.

Mourão, antes de tentar tirar a própria vida, optou por exercer o direito ao silêncio diante da Polícia Federal. Sua defesa não se manifestou sobre as acusações até o momento.

Investigações paralelas e uso de sistemas restritos

Além das suspeitas financeiras, Mourão foi citado em investigações da operação Compliance Zero, sendo identificado como líder de um grupo de WhatsApp denominado “A Turma”, usado para coordenar ações de vigilância, coleta de informações e intimidação de pessoas consideradas rivais de Daniel Vorcaro. Ele também teria acessado ilegalmente sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol, utilizando credenciais de terceiros.

Em nota, Daniel Vorcaro, por meio de sua assessoria, declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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