Política

Prisão de Vorcaro expõe influência do crime em altos cargos, diz Transparência Internacional

De acordo com a ONG, os grupos criminosos conseguem atuar até mesmo no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF)

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Polícia Federal
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Polícia Federal

O recente retorno de Vorcaro à prisão reacendeu o debate sobre a presença de redes criminosas em altos cargos do Estado brasileiro. A Transparência Internacional-Brasil afirmou que esses grupos conseguem atuar até mesmo no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), realizando operações ilícitas e empregando práticas como contratos superfaturados, favores luxuosos e financiamentos ilegais de campanhas.

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Segundo nota da ONG, o crime organizado não apenas domina territórios com força armada, mas também influencia decisões estatais por meio de corrupção e poder financeiro. “O crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção”, diz a nota.

A operação desta quarta-feira, 4, que resultou na prisão de Vorcaro, revelou uma estrutura dividida em núcleos, incluindo articulação financeira, coordenação operacional e obtenção indevida de informações em órgãos como Polícia Federal e Ministério Público Federal.

Enfraquecimento dos mecanismos anticorrupção

A Transparência Internacional-Brasil destacou que o fortalecimento dessas organizações criminosas tem ligação direta com o enfraquecimento das políticas e mecanismos anticorrupção estabelecidos ao longo de décadas. Entre os retrocessos citados, estão o fim da lista tríplice para escolha do Procurador-Geral da República, mudanças em leis anticorrupção e a apropriação do discurso contra ilícitos pelo populismo autoritário.

A entidade ressaltou ainda que a experiência de países da América Latina serve de alerta para o Brasil. “O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído”, alertou a Transparência Internacional-Brasil.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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