Veja os principais pontos da PEC da Segurança Pública em pauta na Câmara
Relatório do deputado Mendonça Filho redefine competências, fortalece atuação federal contra organizações criminosas e cria novos mecanismos de financiamento e coordenação entre os entes federativos

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, que reestrutura a política de segurança pública no Brasil, avança na Câmara dos Deputados com mudanças na forma como União, Estados, Distrito Federal e municípios atuam no combate à criminalidade.
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O texto, relatado pelo deputado Mendonça Filho (União-PE), altera dispositivos centrais da Constituição, sobretudo o artigo 144, para fortalecer a coordenação nacional da segurança pública, ampliar a atuação federal no enfrentamento ao crime organizado e reorganizar o sistema de financiamento do setor.

No parecer apresentado ao plenário, o relator sustentou que o objetivo da proposta é adaptar o sistema brasileiro à realidade de organizações criminosas cada vez mais estruturadas e transnacionais.
“O crime organizado assumiu dimensão nacional e internacional, ultrapassou as fronteiras estaduais, o que exige planejamento estratégico nacional coordenado pela União”, destacou Mendonça Filho.
Segundo o relatório, a PEC busca criar um modelo mais integrado de combate à criminalidade, com maior articulação entre forças policiais, inteligência e políticas penais.
O que muda com a PEC da Segurança Pública
Entre os principais pontos da proposta estão:
- Constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp);
- Ampliação da atuação da Polícia Federal contra organizações criminosas;
- Reorganização das competências entre União, estados e municípios;
- Criação ou reforço de mecanismos nacionais de coordenação;
- Fortalecimento da política penitenciária;
- Garantia constitucional de fundos de financiamento da segurança;
- Sistema Único de Segurança Pública passa a ter status constitucional.

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Um dos eixos centrais da PEC é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, consolidando a estrutura criada por lei em 2018.
A intenção é garantir integração permanente entre os entes federativos e padronização na atuação das instituições policiais.
“A proposta constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública para assegurar unidade de ação, padrão de atuação e coordenação contínua entre os entes federados”, explicou o relator.
Na prática, o modelo busca replicar, no campo da segurança pública, uma lógica semelhante à do SUS, mas voltada à cooperação policial e à gestão integrada das políticas de segurança.
Polícia Federal ganha novas atribuições contra facções
Outro ponto relevante da PEC é o reforço do papel da Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado, especialmente em casos com repercussão interestadual ou internacional.
O relatório prevê competência expressa da corporação para investigar:
- Organizações criminosas;
- Milícias privadas;
- Crimes com atuação em mais de um estado;
- Estruturas financeiras vinculadas ao crime organizado.
A proposta também propõe ampliar a atuação federal em logística e transporte, criando uma estrutura policial voltada aos corredores de circulação de mercadorias.
Combate ao crime organizado e política penitenciária
O relatório também incluiu medidas voltadas ao sistema prisional, considerado peça central na estratégia de enfrentamento às facções. O relator sinalizou que parte da reorganização institucional busca impedir que presídios continuem funcionando como centros de comando do crime.
O objetivo é fortalecer a gestão penitenciária “para impedir que estabelecimentos penais continuem funcionando como escritórios do crime organizado”.
Entre as medidas discutidas no âmbito da proposta estão:
- Integração entre sistemas penitenciários;
- Uso ampliado de inteligência;
- Coordenação nacional de políticas penais.
Financiamento da segurança pública
Outro ponto da PEC é a tentativa de dar maior estabilidade financeira às políticas de segurança. O texto prevê a constitucionalização de fundos nacionais, incluindo:
- Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP);
- Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).
Esses mecanismos devem garantir recursos contínuos para investimentos em:
- Equipamentos;
- Infraestrutura;
- Políticas de prevenção;
- Modernização das forças policiais.
Relator defende modelo sistêmico de segurança
No relatório, Mendonça Filho afirmou que a proposta busca superar a fragmentação atual do sistema brasileiro de segurança pública.
“Buscamos oferecer uma concepção sistêmica da segurança pública no Brasil, alinhando o texto constitucional a um modelo mais eficiente, coordenado e orientado para a redução da violência”, destacou.
Segundo o deputado, o enfrentamento ao crime exige uma estratégia nacional integrada, que combine repressão qualificada, inteligência e políticas públicas de prevenção.

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