Política

Vorcaro tentou vender cobertura de R$ 60 milhões a ex-presidente do BRB

Segundo mensagens obtidas pela PF, banqueiro negociava a venda de imóvel no dia em que seria preso; suspeita de propina

Ilustração de imóvel que Vorcaro tentava vender no dia em que seria preso pela primeira vez em Guarulhos | Ilustração/Divulgação
Ilustração de imóvel que Vorcaro tentava vender no dia em que seria preso pela primeira vez em Guarulhos | Ilustração/Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro tentou vender um apartamento de luxo em São Paulo no mesmo dia em que foi preso pela Polícia Federal (PF). Há suspeitas de que a  negociação serviria como pagamento de propina ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. 

E-mails obtidos pela investigação mostram que a comercialização do imóvel, localizado no empreendimento Vizcaya Itaim e avaliado em cerca de R$ 60 milhões, foi tratada com urgência poucas horas antes da prisão. O apartamento estava registrado em nome de uma empresa do grupo de Vorcaro. A venda, no entanto, não foi concluída depois da prisão do banqueiro e o avanço das investigações.

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Vorcaro: pressão para fechar o negócio

Mensagens encontradas pela PF na caixa de entrada de Vorcaro detalham pressão para concluir a venda da cobertura ainda em construção. As trocas de e-mails em busca de aceleração no processo ocorreram horas antes da primeira prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro do ano passado. 

Nas mensagens aparecem representantes do empresário, integrantes da incorporadora responsável pelo empreendimento e o ex-advogado-geral da União Bruno Bianco, que atuava na negociação pelo lado do comprador.

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As conversas para a venda começaram na sexta-feira anterior à prisão, em 14 de novembro. Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, encarregada por Vorcaro de conduzir a negociação, enviou um e-mail à Bolsa de Imóveis solicitando documentos necessários para viabilizar a operação. Na mensagem, a intermediária pediu a confirmação da quitação do imóvel, a guia para pagamento do ITBI e informou o CNPJ do comprador, além de reiterar o valor da negociação: R$ 60 milhões.

Segundo os e-mails analisados na investigação, o apartamento pertence à Viking, uma das principais empresas ligadas a Vorcaro e conhecida por possuir aeronaves utilizadas pelo empresário. Uma semana depois, no próprio dia da prisão de Vorcaro, a troca de mensagens se intensificou. Em e-mail enviado às 7h39 de 17 de novembro, representantes da negociação reforçaram a urgência para concluir o negócio.

Na mensagem, foi solicitado com urgência o link digital para assinatura do compromisso de compra e venda, depois da menção de uma mudança na administração da Viking e à necessidade de concluir a operação ainda naquela manhã. Outros e-mails enviados ao longo do dia reforçaram a pressão pelo envio do termo de quitação do imóvel — documento considerado essencial para comprovar o pagamento integral e permitir o avanço da negociação.

Às 16h35, Vorcaro respondeu à cadeia de mensagens pedindo que fosse concedido “acesso completo e autonomia” à corretora Regiane Bernardes para conduzir o processo em seu nome. Pouco depois, às 16h47, Bernardes voltou a cobrar o envio dos documentos necessários e questionou se havia algum problema para a emissão do termo de quitação. Na mensagem, ela reiterou que a operação precisava ser concluída ainda naquele dia. A comprovação de quitação do imóvel chegou a ser enviada, mas o link para assinatura digital do contrato não foi encaminhado. 

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