
Ouça este conteúdo
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções a quatro empresas envolvidas no transporte de petróleo venezuelano, nesta quarta-feira (31), aumentando a pressão de Washington sobre o governo de Nicolás Maduro. A medida também impõe o bloqueio de quatro navios petroleiros associados a essas companhias, identificados pelos EUA como membros da chamada "frota fantasma", usada para driblar o controle das autoridades americanas.
O objetivo do governo Donald Trump é restringir fontes de receitas do "regime narcoterrorista de Maduro", que tem no petróleo um de seus principais apoios financeiros.
Segundo a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Tesouro dos EUA, os "quatro navios petroleiros associados" às empresas sancionadas passam a ser identificados como "bens bloqueados". Isso quer dizer que devem ser congelados – ninguém pode movê-los, usá-los ou empregá-los em operações de compra e venda sem autorização federal –, mas não podem ser confiscados, já que continuam sendo propriedade da entidade sancionada.
As embarcações que compõem a chamada frota fantasma geralmente são antigas, com propriedade opaca, bandeira falsa e origem da carga oculta, como forma de contornar restrições internacionais. Os quatro barcos desse tipo sancionados nesta quarta pelos EUA são identificados como Nord Star, Rosalind, Della e Valiante.
As sanções buscam negar às empresas e petroleiros o acesso a qualquer propriedade ou ativo financeiro detido nos EUA. Instituições financeiras, empresas ou pessoas físicas que violarem restrições do tipo se expõem a sanções ou ações de fiscalização.
Campanha contra o regime
O pacote anunciado nesta quarta complementa, segundo Washington, outras punições recentes anunciadas pela Ofac em 11 e 19 de dezembro, que sancionavam familiares de Maduro – como a primeira-dama Cilia Flores e seu sobrinho Carlos Erik Malpica Flores – e pessoas de seu entorno imediato.
Desde meados do ano, Washington empreendeu uma intensa campanha de pressão contra o governo venezuelano, ativando um desdobramento militar inédito em décadas no sul do Caribe com o objetivo de destruir supostas narcolanchas, enquanto acusa Maduro e as cúpulas do governo e do Exército venezuelano de liderar o Cartel de Los Soles.
Desde setembro, o Pentágono já destruiu cerca de 40 embarcações, matando 110 tripulantes. Somente nesta quinta-feira (1º), as Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram a destruição de mais duas supostas embarcações de narcotraficantes em um ataque que deixou cinco mortos.
O governo Trump começou a argumentar nas últimas semanas que o chavismo roubou instalações e ativos de empresas petrolíferas americanas na Venezuela, o que o levou a declarar que confiscaria petroleiros sancionados que transportem petróleo venezuelano, algo que os EUA já fizeram em duas ocasiões.
Na semana do Natal, os EUA também teriam atacado um cais no litoral venezuelano supostamente utilizado pela facção criminosa Tren de Aragua. O ataque com drone, feito pela CIA, segundo a imprensa americana, representaria o primeiro bombardeio contra um alvo em território venezuelano por parte de Washington.